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O primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, anunciou perante o parlamento que os serviços de segurança já identificaram os dois principais suspeitos da sabotagem ferroviária registada recentemente: dois homens ucranianos que teriam entrado na Polónia vindos da Bielorrússia no outono, diz o The Guardian.
Ambos os suspeitos estarão a operar ao serviço dos serviços de inteligência russos, num cenário que Varsóvia encara como parte de uma estratégia coordenada destinada a fragilizar os países que apoiam Kiev.
Um dos suspeitos já tinha sido condenado por sabotagem por um tribunal de Lviv, facto que, de acordo com Tusk, reforça os indícios do seu envolvimento em ações clandestinas. Depois dos incidentes, ambos fugiram novamente para a Bielorrússia, escapando às autoridades polacas e dificultando o trabalho das equipas de investigação.
O primeiro-ministro descreveu os acontecimentos como um cruzamento de linhas vermelhas, sublinhando que as consequências poderiam ter sido muito mais graves não fosse a execução deficiente dos ataques.
Tusk afirmou que Moscovo procura não apenas causar danos diretos, mas também gerar efeitos sociais e políticos. Entre os objetivos apontados estão a desorganização, o caos, a especulação e o aumento de sentimentos anti-ucranianos, um risco que considera particularmente sensível na Polónia, país que acolhe mais de um milhão de refugiados vindos da Ucrânia. Para o chefe do governo, estes ataques procuram explorar tensões internas e abrir espaço a narrativas que possam desestabilizar a sociedade.
Tusk revelou igualmente que as autoridades polacas recebem diariamente dezenas de alertas – alguns fundados, outros não –, o que representa um esforço crescente para os serviços que têm de verificar cada ocorrência. Segundo afirmou, os atos de sabotagem e as operações dos serviços russos estão a intensificar-se em toda a Europa, não apenas na Polónia.
Para contextualizar o que está em causa, Tusk recordou que a Polónia já enfrentou vários episódios de sabotagem nos últimos anos, com um total de 55 detenções relacionadas com esse tipo de acções. Acrescentou também que o fenómeno não é isolado e que outros países europeus têm registado operações semelhantes associadas a interesses russos.
Entre os exemplos mencionados estão incidentes na Moldávia, Roménia, Reino Unido e Alemanha, incluindo uma série de ataques incendiários a propriedades ligadas ao primeiro-ministro britânico, Keir Starmer.
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