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Na Quinta do Conde, em Sesimbra, uma idosa com cerca de 70 anos morreu esta quarta-feira depois de ter esperado cerca de 40 minutos por uma ambulância, apesar de se encontrar em paragem cardiorrespiratória. Embora a vítima estivesse na Margem Sul, os meios acionados foram os Bombeiros de Carcavelos, a cerca de 35 quilómetros de distância. A ambulância saiu dois minutos após o alerta, mas só chegou ao local às 14h44, tendo o óbito sido declarado no local pela equipa médica do INEM.

A situação foi denunciada pelos próprios Bombeiros de Carcavelos, que alertaram para o impacto do tempo de resposta em casos de paragem cardiorrespiratória. “Cada minuto é determinante — por cada minuto que passa sem manobras de reanimação, a vítima perde cerca de 10% de hipóteses de sobrevivência”, sublinhou a corporação.

Em declarações à SIC Notícias, o 2.º comandante dos bombeiros, António Canento, admitiu que a corporação tem sido acionada com regularidade para ocorrências na Margem Sul. “Não deveria ser normal, mas já acontece com alguma regularidade”, afirmou, explicando que muitas ambulâncias ficam retidas nos hospitais, obrigando ao recurso a meios mais distantes.

Já em Tavira, no Algarve, um homem de 68 anos morreu na quarta-feira depois de ter aguardado mais de uma hora por socorro, segundo fonte familiar citada pela Lusa. A vítima sentiu-se mal ao final da tarde, após ter ido à farmácia e tomado um xarope.

De acordo com a cronologia da ocorrência, a primeira chamada para o 112 foi feita às 18h07, seguindo-se uma segunda chamada a questionar a demora. Inicialmente, o caso foi classificado como prioridade 2, com um tempo de resposta previsto de 18 minutos. Apenas às 18h47, numa terceira chamada, quando os familiares informaram que o homem estava em paragem cardiorrespiratória, a situação passou a prioridade máxima.

A primeira ambulância só foi acionada às 18h42, sendo depois mobilizados a viatura de Suporte Imediato de Vida de Tavira, uma unidade de apoio psicológico do INEM e a polícia. Ainda assim, segundo a família, os primeiros meios de socorro chegaram ao local mais de uma hora após o pedido inicial.

Estes dois casos surgem na sequência de outro óbito recente, esta quarta-feira, o de um homem de 78 anos no Seixal, que terá aguardado quase três horas por uma ambulância. Relativamente a essa ocorrência, o presidente do INEM descartou responsabilidades diretas do instituto, atribuindo os atrasos à falta de meios disponíveis e à retenção de macas das ambulâncias nos hospitais.

A sucessão de mortes em contexto de demora no socorro tem motivado alertas de bombeiros, sindicatos e estruturas ligadas à emergência pré-hospitalar, que defendem o reforço urgente de ambulâncias e uma revisão dos mecanismos de resposta, sobretudo em períodos de maior pressão sobre o sistema de saúde.

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