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Várias empresas europeias estão a retirar-se de Cuba devido a um novo pacote de sanções dos Estados Unidos, que entrou em vigor esta sexta-feira e visa não apenas o regime cubano, mas também empresas estrangeiras que façam negócios com entidades estatais da ilha.

Os grupos hoteleiros espanhóis Meliá Hotels International e Iberostar retiraram recentemente a gestão e a marca de dezenas de hotéis em Cuba. O Meliá justificou a decisão ao Politico com a mudança do contexto geopolítico, jurídico e económico.

As novas medidas norte-americanas atingem sobretudo empresas que trabalham com a GAESA, um conglomerado controlado pelos militares cubanos e que domina cerca de 40% da economia do país. Através da sua subsidiária Gaviota, a GAESA controla mais de metade dos hotéis cubanos.

O receio de congelamento de ativos e exclusão do sistema financeiro norte-americano está a levar empresas europeias a abandonar rapidamente os seus investimentos na ilha.

No setor marítimo, as transportadoras CMA CGM e Hapag-Lloyd suspenderam as operações com Cuba no mês passado. Juntas, representavam cerca de 60% do tráfego marítimo cubano.

Segundo o jornal, as empresas europeias de média dimensão poderão ser particularmente vulneráveis e algumas empresas alemãs ligadas ao setor energético cubano também poderão ser afetadas.

As sanções chegam numa altura especialmente difícil para o turismo cubano, um dos principais motores da economia.

O número de visitantes estrangeiros caiu de 4,7 milhões em 2018 para apenas 1,9 milhões em 2025. Em abril de 2026, Cuba registou apenas cerca de 30 mil chegadas de turistas.

Os cortes frequentes de eletricidade, a crise económica e a deterioração das infraestruturas têm afastado visitantes para outros destinos das Caraíbas.

As novas medidas poderão igualmente afetar a produção do famoso rum Havana Club, produzido através de uma parceria entre a empresa francesa Pernod Ricard e a empresa estatal Cuba Ron.

Ainda não é claro até que ponto esta atividade ficará sujeita às novas sanções.

Europa evita confronto com Washington

Apesar do impacto nas empresas europeias, os governos de Espanha, França e Alemanha têm-se limitado a afirmar que estão a acompanhar a situação.

A reação da União Europeia também tem sido cautelosa. Nos anos 1990, Bruxelas respondeu de forma agressiva à legislação norte-americana que penalizava empresas estrangeiras em Cuba, chegando a aprovar mecanismos legais para proteger empresas europeias.

Agora, porém, vários analistas consideram que não existe vontade política para abrir um novo conflito com Washington, numa altura em que a Europa enfrenta desafios mais urgentes, como as guerras na Ucrânia e no Médio Oriente.

Alguns eurodeputados criticam esta passividade. A eurodeputada espanhola Leire Pajín defendeu que a UE deve proteger as empresas europeias e afirmar a sua autonomia estratégica. Já a eurodeputada francesa Leïla Chaibi foi mais dura, acusando Bruxelas de se comportar perante os EUA "como um cãozinho".

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