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Segundo a CNN Internacional, as refinarias estão a processar menos 8,4 milhões de barris de petróleo bruto por dia desde o início da guerra. Isto significa que se produz menos 10% de combustível.
Além dos combustíveis, o petróleo é usado em vários produtos, como asfalto, plásticos, óleo para aquecimento e querosene de aviação.
A tensão entre os Estados Unidos da América (EUA) e o Irão afetou o fluxo de petróleo que passa no Estreito de Ormuz. A normalidade está longe de regressar, depois de o presidente norte-americano, Donald Trump, ter anunciado o controlo do Estreito de Ormuz e a aplicação de taxas de 20% sobre toda a mercadorias.
Dados da Lipow Oil Associates, uma consultora norte-americana especializada no setor da energia, indicam que saíram 200 milhões de barris de petróleo de Ormuz nas últimas semanas, o que permite abastecer os mercados durante 17 dias.
“A narrativa fundamental do mercado de petróleo permanece inalterada: existe petróleo suficiente disponível globalmente, desde que possa ser transportado para onde é necessário”, afirmou à CNN Rob Thummel, gestor da Tortoise Capital, uma empresa ligada à gestão de investimentos especializada em energia e infraestruturas.
De acordo com o maior banco dos EUA, JP Morgan, a produção das refinarias chinesas baixou em cerca de três milhões de barris por dia e a alternativa foi aumentar a operação das usinas termoelétrica a carvão e incentivar a compra de veículos elétricos. Além disto, o país esgotou as reservas de emergência para compensar a perda de petróleo no Golfo Pérsico e reduziu a quantidade de gasolina e diesel que refina e exporta.
Com o escalar das hostilidades no Golfo Pérsico, também as refinarias do Médio Oriente vão ter dificuldades em retomar atividade. Segundo o JP Morgan, o Irão atacou 30 refinarias no Médio Oriente durante a guerra, sendo incerto quando as instalações voltam a funcionar.
Os EUA passaram a ser a alternativa, com as refinarias norte-americanas a aumentarem a produção de querosene de aviação para dar resposta à procura europeia e de diesel para responder às necessidades da Austrália e da Ásia. Apesar disto, os Estados Unidos têm dificuldades no setor. Nos últimos anos, fecharam quatro reinarias na Califórnia devido a problemas ambientais e altos custos e a última refinaria nova dos EUA foi construída em 1977.
Já a Rússia [que é a maior exportadora mundial de óleo combustível e a segunda maior de diesel] proibiu a exportação de diesel, devido ao constante bombardeamento de drones ucranianos. Os russos têm enfrentado uma escassez de combustível nas últimas semanas: há filas de carros nos postos de abastecimento e os preços dos combustíveis aumentaram 50% em algumas regiões.
A interrupção das exportações da Rússia também vão afetar os mercados mundiais. Segundo o JP Morgan, 20% da redução da produção das refinarias em todo o mundo é uma consequência da perda de capacidade russa. Já a Lipow Oil Associates explica que a Rússia exportava 800 mil barris de diesel por dia antes dos bombardeamentos ucranianos, o equivalente a 12% das remessas mundiais de diesel.
Assim, irá manter-se a incerteza à volta dos preços dos combustíveis, sendo previsível que os valores da gasolina e do diesel continuem elevados.
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