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Francisco Pinto Balsemão, que morreu aos 88 anos, foi uma das figuras centrais da política e da comunicação social em Portugal. Formado em Direito, iniciou a carreira jornalística no Diário Popular, antes de fundar, em 1973, o semanário Expresso, que se tornou símbolo da liberdade de imprensa, ainda durante a ditadura.
Na política, foi um dos fundadores do PPD, hoje PSD, ao lado de Francisco Sá Carneiro e Joaquim Magalhães Mota, ocupando funções de deputado da Ala Liberal e, após a morte de Sá Carneiro, liderou o Governo português como primeiro-ministro entre 1981 e 1983. Os seus mandatos foram marcados pela preparação do terreno para a adesão de Portugal à CEE e pela revisão constitucional de 1982, que contribuiu para consolidar a democracia portuguesa.
Recorde aqui algumas frases que retratam este percurso.
Jornalismo
"Ao serviço do Diário Popular, escrevi notícias ou entrevistas, desloquei-me com frequência em reportagem ao estrangeiro, ganhei fontes e contactos, participei em conferências".
"Estive lá [na PIDE] 12 horas por causa de um artigo que tinha sido publicado no jornal. Tudo isso incutiu em mim o pensamento de que era necessário lutar pela liberdade e pela democracia".
"Em fins de 1971, tinha as ideias mais arrumadas. Percebi que a minha vocação profissional estava ligada à comunicação social. Decidi, assim, usar parte do dinheiro recebido pela venda do Diário Popular no lançamento de uma nova publicação".
"Eu envolvi-me e apaixonei-me pelo jornalismo através de uma vocação profissional. A criação do Expresso e de outros títulos correspondem a essa vocação profissional, como há quem escolha a medicina ou a arquitetura ou a engenharia, eu escolhi o jornalismo".
— Podcast "Deixar o Mundo Melhor", 2023
"A informação necessita de ser livre, funcionando ao lado, mas independentemente, dos governos, das igrejas, dos partidos políticos, dos grupos de pressão".
— Livro “Informar ou depender?”, 1971
"Aspiramos, coerentemente, a contribuir para que se alcance em Portugal a liberdade de informação: liberdade de informar; liberdade de ser informado".
— Editorial do primeiro número do Expresso, 1973
Política
"Quando Marcello Caetano sucedeu a Salazar eu acreditei que seria possível uma reforma profunda sem necessidade de revolução. Por isso aceitei então ser deputado".
"A política obrigou-me a ver o mundo e o país e as pessoas e os traidores de outra maneira".
— Podcast "Deixar o Mundo Melhor", 2023
"A 6 de maio [o PSD] já estava criado. Como se criava naquela altura, não era preciso ter milhares de assinaturas. O que era preciso era anunciar que se tinha criado um partido e, se possível, pintar nas paredes a sua sigla".
— PSD, 40 anos
"A liberdade é importante, mas tão importante quanto a liberdade são a solidariedade e sermos capazes de lutar pela igualdade. A igualdade também tem importância".
"Acho que a revisão constitucional foi a coisa mais importante que fiz".
"Mais do que um mero alívio, [a saída do governo] foi, contudo, um ato de coragem e de lucidez que me permitiu volta a ser como era. E como sou".
— Entrevista ao Público, 2021
"Eu nunca fui um partidário fervoroso desta coligação [AD], mas reconheci, na altura, que, goradas as hipóteses de entendimento PSD/PS, era a única solução que poderia conduzir a uma maioria parlamentar. (...) Ganhámos por uma margem curta de dois deputados, mas ganhámos".
"Os partidos políticos são máquinas trituradoras. A máquina trituradora não para e não falha. Sacrifica pessoas, é ingrata e injusta".
— Memórias
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