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Durante anos, a tecnologia prometeu eficiência. Fazer mais em menos tempo. Automatizar tarefas. Otimizar processos. Hoje, a conversa mudou ligeiramente de tom. A eficiência continua lá, mas surge acompanhada de outra ambição: melhorar o bem-estar das pessoas no dia a dia.

Essa mudança começa a ser visível na forma como os produtos são desenhados. Do fitness à saúde mental, passando pelo envelhecimento ativo ou pela gestão do tempo, o bem-estar deixou de ser um argumento acessório e passou a funcionar como critério de base.

A gestão do tempo surge como uma das ideias centrais desta transição. Não apenas como produtividade, mas como condição para o equilíbrio pessoal. Miguel Ribeiro é CEO da sheerME, uma empresa que utiliza tecnologia para digitalizar os setores do bem-estar, beleza e fitness. O responsável aponta para uma fusão entre tecnologia e rotinas do dia a dia. “A tecnologia está finalmente a devolver tempo e controlo às pessoas”, afirma, sublinhando que esse tempo é “o bem mais valioso no nosso bem-estar”.

A proposta passa por reduzir fricções em tarefas simples como descobrir, marcar e pagar serviços, criando sistemas que funcionam quase em segundo plano. Menos decisões repetidas, menos passos intermédios, mais previsibilidade. A tecnologia deixa de exigir atenção constante e passa a organizar-se em torno das necessidades reais.

O fitness como hábito, não como exceção

No setor do fitness, esta lógica traduz-se numa tentativa de adaptação às rotinas existentes. Mauro Frota, CEO da BHOUT, uma startup nacional de FitTech, defende que a tecnologia pode funcionar como motor de uma experiência mais integrada, combinando exercício físico com feedback em tempo real e métricas de evolução. O objetivo não é apenas medir desempenho, mas “melhorar o bem-estar, a motivação e a produtividade dos utilizadores”.

Ao integrar componentes emocionais e de personalização, o treino deixa de ser um momento isolado e passa a competir menos com o resto da vida. A aposta é chegar a pessoas que não se identificam com os modelos tradicionais e reduzir a distância entre intenção e hábito.

O futuro do bem-estar passa por introduzir tecnologias simples, preventivas e facilmente integradas no dia a dia.

A mesma lógica aparece noutros contextos. Na Actif, liderada por Sara Gonçalves, a tecnologia é pensada como ferramenta preventiva, especialmente para pessoas mais velhas. “O futuro do bem-estar passa por introduzir tecnologias simples, preventivas e facilmente integradas no dia a dia”, explica.

A combinação entre monitorização contínua e planos personalizados procura apoiar profissionais de saúde e promover atividade física e cognitiva de forma consistente. Aqui, a inovação não está na complexidade, mas na continuidade.

Outro eixo comum é a atenção ao esforço mental. A Dreamwaves parte da ideia de que muitos sistemas digitais obrigam a uma tradução constante da informação. “Gasta-se demasiada energia mental a traduzir informação entre ecrãs, mapas e interfaces”, refere o CEO da empresa, Hugo Furtado.

A alternativa passa por orientar através do som, aproximando a interação da forma como as pessoas percecionam naturalmente o espaço. Inteligência artificial e realidade aumentada surgem como ferramentas para reduzir fricções e libertar atenção, não para a disputar.

A saúde mental entra nas empresas

No contexto laboral, o bem-estar ganha uma dimensão mais sensível. A Nevaro cruza tecnologia com conhecimento clínico para apoiar a gestão da saúde mental nas organizações. “Tal como um personal trainer no ginásio, a nossa ferramenta avalia o estado do utilizador e personaliza a sua jornada diária”, explica Rita Maçorano, CEO da Nevaro

A personalização e a quantificação passam a servir não apenas a produtividade, mas também a adaptação de ritmos e estratégias de coping.

É também nesta lógica de integração discreta que a Air Apps posiciona o seu trabalho. “Vemos a tecnologia para o bem-estar como uma coleção de pequenas vitórias que se repetem ao longo do dia”, explica a empresa. O foco está em soluções que entram “de forma natural na rotina, sem complicar nem pedir atenção extra”, recorrendo à inteligência artificial e a interfaces simples para reduzir distrações, organizar tarefas e devolver tempo e foco aos utilizadores.

Para 2026, a empresa aponta três tendências: uma IA mais pessoal e privada, tecnologia cada vez mais invisível nas rotinas e um foco em bem-estar digital realista, com ferramentas que se adaptam às pessoas, e não o contrário.

Apesar das abordagens distintas, existe um fio comum. A tecnologia está a entrar no território das rotinas, da atenção e da saúde. O bem-estar deixou de ser um extra para se tornar também da arquitetura.

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