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O encontro será liderado pelo vice-presidente norte-americano JD Vance e pelo ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi. O governo do Paquistão, anfitrião das conversações, tenta transmitir otimismo e garante que ambas as partes confiam no país para mediar o diálogo. Ainda assim, JD Vance deixou claro que os EUA estão disponíveis para negociar, mas apenas se o Irão agir “de boa fé”, alertando que qualquer tentativa de manipulação será rejeitada.

Um dos principais pontos de tensão prende-se com a situação no Líbano e o conflito envolvendo o Hezbollah, aliado do Irão. A intensificação da campanha militar israelita contra o grupo está a agravar o ambiente regional. O presidente iraniano já avisou que a continuação desses ataques pode tornar as negociações “sem sentido”, sublinhando que o Irão não abandonará os seus aliados. Israel, por seu lado, mantém a pressão militar, enquanto os EUA tentam evitar uma escalada total, embora sem impor um cessar-fogo imediato. Esta dinâmica cria um ambiente altamente instável logo à partida das conversações.

O Estreito de Ormuz, continua a ser o tema central, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo. Segundo os EUA, o Irão não está a cumprir o compromisso de permitir a livre passagem de navios, com o vice-presidente norte-americano a acusar Teerão de comportamento “desonesto” e até de tentar cobrar taxas a navios que atravessam a zona. Do lado iraniano, há sinais de que o país quer formalizar o seu controlo sobre a área, considerando-a uma zona de soberania própria e criando novas regras para a navegação, incluindo rotas alternativas para evitar zonas consideradas perigosas. Esta disputa levanta preocupações no comércio global, com centenas de navios e milhares de tripulantes ainda retidos no Golfo.

O tema mais sensível e antigo é o programa nuclear iraniano. Os Estados Unidos insistem que o Irão não pode ter qualquer capacidade de desenvolver uma arma nuclear, enquanto o Irão nega ter intenções militares e afirma que o seu programa serve apenas fins civis, como a produção de energia. Teerão invoca o Tratado de Não Proliferação Nuclear para defender o direito ao enriquecimento de urânio, enquanto Washington exige o fim total dessa atividade em território iraniano. Esta divergência já tinha sido parcialmente abordada no acordo nuclear de 2015, que tentou limitar o programa iraniano, mas que acabou por colapsar após a saída dos EUA. Agora, ambos os lados parecem ainda distantes de um novo entendimento.

Outro ponto em disputa é o papel regional do Irão e a sua rede de aliados, muitas vezes descrita pelos EUA e Israel como um “eixo de influência” ou ameaça regional. Este inclui grupos como o Hezbollah no Líbano, os Huthis no Iémen e várias milícias no Iraque, além da ligação histórica ao Hamas em Gaza. Para o Irão, estes aliados fazem parte de uma estratégia de “defesa avançada”, permitindo-lhe exercer influência e dissuasão na região. Para os Estados Unidos e Israel, representam uma rede de milícias desestabilizadoras que deve ser desmantelada. A guerra em Gaza e os conflitos paralelos aumentaram ainda mais a pressão sobre este conjunto de alianças, embora não haja sinais de que Teerão esteja disposto a abandoná-las.

Por fim, está a questão das sanções económicas, um dos maiores bloqueios estruturais ao Irão. O país vive há décadas sob sanções internacionais severas que têm afetado profundamente a sua economia. Teerão exige o levantamento total dessas sanções como condição para qualquer acordo, e até a libertação de cerca de 120 mil milhões de dólares em ativos congelados antes mesmo do início das negociações. Contudo, os EUA mostram-se muito reticentes em fazer concessões dessa dimensão apenas para arrancar o processo negocial, tornando este ponto um dos mais difíceis de resolver.

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