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Estima-se que pelo menos 4.500 mulheres e raparigas, algumas com apenas 12 anos, tenham recebido DIU entre a década de 1960 e 1991, os números são da agência EFE citada pela CNN Portugal. Na altura, a colocação destes dispositivos fazia parte de uma campanha de planeamento familiar promovida pelo Estado dinamarquês, numa tentativa de reduzir a elevada taxa de natalidade e o número de gravidezes indesejadas na Gronelândia. No entanto, em muitos casos, os procedimentos foram realizados sem que as mulheres dessem o seu consentimento.

Representantes da Gronelândia consideram que esta prática constituiu uma forma de discriminação sistemática e uma violação dos direitos humanos. O antigo chefe do governo gronelandês chegou mesmo a classificá-la como “genocídio”.

O problema dos DIU não aconteceu de forma isolada. Faz parte de uma história mais longa de relações complicadas entre a Gronelândia e a Dinamarca.

Durante muitos anos, a Gronelândia esteve sob forte controlo dinamarquês e, apesar de ter atualmente autonomia, existem críticas sobre a forma como as autoridades dinamarquesas trataram a população gronelandesa no passado. Houve situações em que decisões importantes foram tomadas sem o verdadeiro consentimento dos habitantes da Gronelândia.

Por isso, o caso dos DIU é visto por muitos gronelandeses como mais um exemplo de discriminação e de interferência da Dinamarca na vida da população local. Estas questões históricas continuam a influenciar a relação entre os dois territórios e também o debate sobre a maior autonomia ou independência da Gronelândia.

Em setembro do ano passado, a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, pediu oficialmente desculpa às mulheres afetadas, reconhecendo a injustiça e o sofrimento que lhes foram causados. O governo dinamarquês criou também um fundo de reconciliação para lidar com diferentes casos históricos de discriminação.

As autoridades da Gronelândia estão, entretanto, a investigar se a prática continuou entre 1992 e os dias de hoje. Além disso, 143 mulheres apresentaram uma ação coletiva contra o Estado dinamarquês, exigindo cerca de 5,8 milhões de euros em indemnizações. O processo deverá chegar aos tribunais em 2027.

A aprovação da nova lei representa, assim, um reconhecimento oficial dos abusos cometidos e uma tentativa de compensar as vítimas pelos danos sofridos.

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