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O navio chegou às Ilhas Canárias com cerca de 146 pessoas depois de uma sequência de infeções que já provocou três mortes e pelo menos oito casos de doença. Antes da chegada, o navio tinha estado retido durante dias ao largo da costa de Cabo Verde, onde as autoridades locais recusaram a atracagem por receio de sobrecarga do sistema de saúde. Com a situação a agravar-se, foi decidido encaminhar o navio para Tenerife.

Apesar de a maioria dos passageiros não apresentar sintomas no momento da chegada, todos tinham sido colocados em isolamento nas cabines nos dias anteriores como medida de contenção. O hantavírus, segundo as autoridades de saúde, não se transmite facilmente entre pessoas, exigindo contacto muito próximo, mas pode causar sintomas graves semelhantes a gripe e, em alguns casos, insuficiência respiratória e morte.

Hoje teve início uma operação de evacuação que deve durar dois dias e envolve a transferência faseada de passageiros em pequenos grupos por barco até ao porto de Granadilla, em Tenerife. A partir daí, são transportados de autocarro para o aeroporto, onde equipas médicas os aguardam com equipamento de proteção individual.

Cada passageiro é sujeito a triagem médica, incluindo verificação de sintomas e avaliação de risco de exposição. Em alguns casos, foram utilizados fatos de proteção e medidas adicionais de descontaminação antes do embarque em aviões charter.

Os passageiros são depois distribuídos por vários voos internacionais, com destino a cerca de dez países, incluindo Reino Unido, França, Espanha, Alemanha, Países Baixos, Bélgica, Grécia, Canadá, Turquia, Irlanda, Estados Unidos e Austrália.

No caso britânico, cerca de 19 passageiros e 3 tripulantes foram transportados para o Reino Unido e colocados em quarentena no hospital de Arrowe Park, em Wirral, em regime de isolamento médico. Outros países implementaram medidas semelhantes, incluindo quarentenas obrigatórias à chegada ou monitorização clínica.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) está a acompnhar a operação e reforça que, apesar da gravidade da doença em alguns casos, não existe risco elevado de pandemia, uma vez que o vírus não tem transmissão rápida entre humanos. Ainda assim, devido ao período de incubação do hantavírus, que pode variar entre alguns dias e várias semanas, os especialistas recomendam um período de vigilância prolongado, que em alguns casos pode chegar a 42 dias após a última exposição.

A evacuação exige também coordenação logística entre vários governos, já que nem todos os passageiros puderam ser removidos ao mesmo tempo. Algumas aeronaves ainda estavam a ser organizadas durante a operação, o que gerou incerteza sobre os últimos grupos a bordo.

Enquanto isso, parte da tripulação permaneceu no navio para garantir a sua condução de volta aos Países Baixos, país de origem da embarcação, com paragens intermédias para abastecimento. Outros tripulantes foram igualmente transferidos para quarentena noutros países europeus.

As autoridades espanholas e a OMS destacaram que a operação foi “altamente controlada” e que o risco para a população em Tenerife é muito baixo, dado que não houve contacto generalizado com o exterior. Ainda assim, o caso gerou alguma tensão local, com protestos iniciais de trabalhadores portuários e preocupações sobre segurança sanitária. Apesar disso, a evacuação foi concluída com sucesso e os passageiros enfrentam agora um longo período de isolamento e monitorização médica nos seus países de destino.

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