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Quando Michelle Yeoh subiu ao palco para receber o Óscar de melhor atriz pelo filme Everything Everywhere All at Once, em 2023, deixou uma mensagem direta: “Senhoras, não deixem que ninguém vos diga que já passaram do vosso auge. Nunca desistam”.

Aos 60 anos, Michelle Yeoh tornou-se uma das poucas mulheres com mais de 60 anos a vencer o prémio de melhor atriz nos prémios da Academia. Ao todo, apenas sete atrizes com essa idade conquistaram a estatueta.

Historicamente, os votantes da Academia têm privilegiado atrizes mais jovens. Enquanto apenas um ator com menos de 30 anos - Adrien Brody - venceu o Óscar de melhor ator, 32 atrizes receberam o prémio na casa dos 20 anos.

Entre as vencedoras mais velhas destacam-se Jessica Tandy, a única atriz a ganhar o Óscar com mais de 80 anos, e Katharine Hepburn, a única outra vencedora com mais de 70 anos.

Uma investigação da BBC indica que a idade média das nomeadas para melhor atriz tem aumentado de forma consistente ao longo das décadas. Nos anos 1940, a média era de 33 anos, nos anos 1970 subiu para 36, nos anos 2000 chegou aos 40. Na década de 2020, a média é atualmente de 44 anos.

Entre as vencedoras recentes estão Renée Zellweger, que ganhou aos 50 anos, Frances McDormand, vencedora aos 63, e Jessica Chastain, que recebeu o prémio aos 45.

Nos últimos anos, foram indicadas atrizes como Annette Bening, de 65 anos, a brasileira Fernanda Torres, de 59, e Demi Moore, de 62. Ainda assim, Demi Moore acabou por perder o prémio para Mikey Madison, de 25 anos, pela atuação no filme Anora.

Nos primórdios de Hollywood, a juventude feminina era vista como um requisito essencial para o sucesso, destaca o meio britânico. No livro The Star Machine (2007), a historiadora de cinema Jeanine Basinger descreve uma indústria que tratava as atrizes como um “produto frágil”, com carreiras frequentemente limitadas pela passagem do tempo.

Segundo a autora, sobreviver uma década em Hollywood já era considerado um feito. Duas décadas de carreira eram vistas como um sucesso extraordinário e ultrapassar esse período transformava uma atriz numa “lenda”.

Entre as estrelas dessa era estavam vencedoras do Óscar como Bette Davis, Ingrid Bergman e Vivien Leigh, todas premiadas ainda na casa dos 20 anos.

A exceção mais notável foi Katharine Hepburn, que detém o recorde de mais Óscares de melhor atriz e conquistou três dessas estatuetas depois dos 60 anos, um caso raro numa indústria que durante décadas privilegiou a juventude feminina.

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