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Foi na grande sala da 1.ª Câmara da Cour d'appel, do Tribunal de Paris, localizado no histórico Palais de Justice, na Île de la Cité, que Marine Le Pen foi condenada esta semana a três anos de prisão — dois com pena suspensa e um com pulseira eletrónica.

Em causa estava um caso de desvio de fundos europeus que podia pôr em causa a candidatura de Le Pen às eleições presidenciais francesas de 2027. O que não veio a acontecer, pois, segundo o tribunal, as medidas foram ajustadas tendo em conta "a liberdade de candidatura" e "a livre escolha dos eleitores", consideradas "condições da expressão democrática".

Em entrevista ao Canal TF1, depois da sentença, a líder do partido Reagrupamento Nacional (RN) anunciou que irá concorrer às eleições presidenciais de 2027.

O local onde Marine Le Pen foi chamada à justiça já serviu de palco a outros momentos marcantes da história europeia. A fachada principal do palácio caracteriza-se pelas colunas monumentais, esculturas alegóricas e grandes escadarias cerimoniais, elementos típicos da arquitetura pública francesa do século XIX. O conjunto arquitetónico passou por diversas restaurações após os danos provocados pelos incêndios da Comuna de Paris, em 1871.

Philippe Petáin, o marechal francês aliado de Hitler

Em 1945, Philippe Pétain, chefe do regime de Vichy, foi condenado à morte pelo tribunal francês por colaboração com a Alemanha nazi.

O processo contra o marechal Philippe Pétain, então chefe de Estado francês, ficou marcado por um momento insólito. Durante a audiência, entrou na sala vestido com o uniforme cáqui, ostentando medalhas e condecorações, bainha de seda e luvas brancas, cumprimentando todos com um gesto imponente. Os presentes, na sua maioria contrários ao réu, levantaram-se instintivamente em sinal de respeito.

O marechal leu a seguinte declaração: "Um marechal francês jamais pede perdão. Só Deus e as próximas gerações poderão julgar. Isso basta à minha consciência e à minha honra. Deposito toda a minha confiança na França."

Vichy foi o regime francês que executou as ordens de Hitler em França, tornando-se símbolo da humilhação francesa perante a Alemanha e uma cicatriz na consciência nacional.

Para muitos militares, uma condenação de Pétain representava um autêntico parricídio, já que o marechal era venerado pelos soldados.

Pétain conquistou notoriedade em 1916, ao resistir a uma ofensiva das tropas alemãs em Verdun, passando a ser conhecido como o "Salvador de Verdun". Graças a esse feito, foi promovido a marechal.

Quando as tropas nazis invadiram a França pelas Ardenas, em março de 1940, e ocuparam rapidamente o país, cresceu o apelo por um "salvador". Em julho desse ano, Pétain assumiu, aos 86 anos, o cargo de chefe do Estado francês, embora a derrota militar já estivesse consumada.

Em Compiègne, no famoso comboio onde a Alemanha assinara o Tratado de Versalhes, Pétain assinou o armistício com Hitler. A França ficou então dividida entre uma zona ocupada e outra livre, o "État Français", com sede em Vichy.

Por detrás da fachada do "État Français", Pétain manteve um jogo duplo de recusa e colaboração com o regime nazi, tolerando inclusive a deportação de judeus para os campos de concentração alemães.

Pétain conseguiu, por um lado, excluir a França de alguns dos planos de Hitler e, por outro, manter o contacto com os Aliados até à libertação, em 1944. Acabou, porém, por fugir perante o avanço das tropas aliadas e passou os últimos meses da guerra na Alemanha, regressando a França após a capitulação alemã.

A 14 de agosto de 1945, o júri condenou o marechal à morte e suspendeu-lhe os direitos de cidadão.

No final do processo, houve ainda hesitação por parte do júri, que não manifestou o desejo de ver a pena executada. Foi Charles de Gaulle quem exerceu o direito de indulto e comutou a pena de morte em prisão perpétua.

Pétain cumpriu a pena de prisão até a sua morte, em julho de 1951, na ilha de Yeu.

Maria Antonieta, a primeira vítima da Revolução Francesa

Foi na Conciergerie, edifício situado junto ao tribunal, nas margens do rio Sena, também conhecido por ter funcionado como prisão de alta segurança durante a Revolução Francesa, que Maria Antonieta aguardou a execução.

A morte de Maria Antonieta marcou o início do Reino do Terror durante a Revolução Francesa. A rainha era profundamente impopular em França, alvo de rumores e escândalos que alimentavam o descontentamento popular.

Maria Antonieta foi perseguida pelos jacobinos, que pretendiam erradicar por completo o espírito monárquico. Após a descoberta de uma tentativa de fuga para a Alemanha, foi levada a tribunal, onde o Comité de Segurança Pública se reuniu para decidir o seu destino. A voz mais firme a favor da execução foi a de Hébert, que afirmou falar em nome do povo.

O julgamento da rainha começou a 14 de outubro de 1793 e prolongou-se durante várias horas.

No dia 16 de outubro, Maria Antonieta foi considerada culpada das três principais acusações: conspiração com potências estrangeiras, esgotamento do tesouro do Estado e alta traição, por agir contra a segurança do Estado francês.

O tribunal aplicou a pena de morte. Quando lhe perguntaram se tinha algo a declarar, Maria Antonieta limitou-se a abanar a cabeça.

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