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As centrais nucleares necessitam de grandes quantidades de água para arrefecer os seus sistemas. Essa água é captada de rios, lagos ou do mar e, após cumprir essa função, é devolvida ao meio ambiente respeitando limites rigorosos de temperatura.
O Danúbio é uma das principais fontes de água para centrais nucleares da Europa de Leste. No entanto, quando o caudal diminui drasticamente e a temperatura da água aumenta devido às ondas de calor, surgem dificuldades operacionais.
Nestas circunstâncias, pode não existir água suficiente para garantir o arrefecimento adequado dos reatores ou a água devolvida ao rio pode exceder os limites ambientais permitidos. Para evitar qualquer risco, os operadores reduzem a potência dos reatores ou suspendem temporariamente a sua atividade.
O que está a acontecer na Hungria?
O caso mais preocupante verifica-se na Hungria, onde a central nuclear de Paks — responsável por mais de 40% da eletricidade produzida no país — foi obrigada a reduzir significativamente a sua produção devido ao nível excecionalmente baixo do Danúbio.
Segundo as autoridades húngaras, apenas a última turbina permaneceu em funcionamento depois de uma ligeira subida do nível da água ter evitado uma paragem total da central. Ainda assim, o Governo alertou que, caso o rio volte a baixar, poderá ser necessário interromper completamente a produção.
Perante este cenário, Budapeste apelou à redução do consumo de eletricidade, aumentou as importações de energia e acompanha diariamente a evolução do caudal do rio.
E na Roménia?
A Roménia enfrenta dificuldades semelhantes na central nuclear de Cernavodă, responsável por cerca de um quinto da produção elétrica do país.
Um dos reatores teve de ser desligado devido à escassez de água disponível para arrefecimento. Para manter o segundo reator em funcionamento, as autoridades recorreram a uma medida invulgar: realizaram uma detonação controlada para remover uma rocha no Danúbio e aumentar o fluxo de água que chega à central.
As autoridades romenas continuam a avaliar soluções temporárias para garantir o abastecimento de água enquanto persistirem as condições extremas.
Existe risco de acidente nuclear?
A situação não representa, nesta fase, um problema de segurança nuclear, mas sim um desafio operacional. Os sistemas de segurança destas centrais estão precisamente concebidos para reduzir automaticamente a potência dos reatores ou desligá-los sempre que as condições de arrefecimento deixam de ser adequadas.
Ou seja, a redução ou suspensão da produção faz parte dos mecanismos de proteção e serve para evitar qualquer sobreaquecimento.
Quais podem ser as consequências?
Embora a segurança das centrais não esteja em causa, a diminuição da produção nuclear pode ter consequências relevantes para o abastecimento energético.
Com menos eletricidade produzida, os países afetados são obrigados a recorrer a importações ou a outras fontes de energia, numa altura em que o consumo aumenta devido às temperaturas elevadas e ao uso intensivo de sistemas de ar condicionado.
Além da produção nuclear, o baixo caudal do Danúbio está também a afetar a produção hidroelétrica, a navegação comercial e diversas atividades económicas ao longo de um dos maiores rios da Europa.
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