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Poucos dias depois de ter ordenado a captura de Nicolás Maduro da presidência da Venezuela, Donald Trump voltou a colocar a Gronelândia no centro da política externa norte-americana, insistindo na necessidade de os Estados Unidos assumirem o controlo do território autónomo do Ártico.
Em declarações no domingo, Trump afirmou que a Gronelândia é indispensável para os interesses dos EUA, uma posição que agravou as tensões diplomáticas com a Dinamarca e com o Governo de Nuuk. Embora disponha de autonomia política, a Gronelândia faz parte do Reino da Dinamarca, que continua a deter responsabilidades em matéria de defesa e relações externas.
A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, respondeu com firmeza, avisando que qualquer ação militar norte-americana contra um aliado da NATO colocaria em causa a própria sobrevivência da Aliança. Também o primeiro-ministro groenlandês, Jens-Frederik Nielsen, rejeitou categoricamente a possibilidade de anexação, contando com o apoio público de vários líderes europeus.
Apesar disso, a Casa Branca mantém o tema em cima da mesa. Stephen Miller, um dos conselheiros mais próximos de Trump, assegurou que a administração norte-americana está determinada a integrar a Gronelândia nos Estados Unidos, acreditando ser possível fazê-lo sem recurso à força.
Porque está Donald Trump tão fixado na Gronelândia?
O interesse de Trump pela Gronelândia tem sido recorrente, embora os argumentos apresentados tenham variado. Durante o seu primeiro mandato, chegou a encarar a ilha como uma aquisição comercial de grande escala. Mais tarde, justificou a ambição com motivos económicos e, mais recentemente, com preocupações ligadas à segurança nacional.
A localização da Gronelândia, entre a América do Norte e a Rússia, confere-lhe um valor estratégico crescente, num momento em que o Ártico se transforma num espaço de competição entre grandes potências. O aquecimento global está a acelerar o degelo, tornando mais acessíveis tanto os recursos naturais como novas rotas marítimas.
Além de hidrocarbonetos, a Gronelândia possui minerais essenciais para a transição energética, como lítio, cobalto e terras raras, cuja procura é dominada pela China. Um maior controlo norte-americano permitiria reduzir a dependência face a Pequim.
O que tem a Dinamarca a ver com isto?
Habitada por povos inuítes há milénios, a Gronelândia foi integrada na esfera dinamarquesa no século XVIII e tornou-se parte formal do Reino da Dinamarca em 1953. Durante a Segunda Guerra Mundial, esteve sob controlo dos Estados Unidos, regressando a Copenhaga no final do conflito.
Desde 1979, o território dispõe de um amplo regime de autonomia, com parlamento próprio, mas continua dependente da Dinamarca em matéria de política externa e defesa. Nos últimos anos, a relação entre Copenhaga e Nuuk tem sido marcada por tensões, alimentadas por revelações sobre práticas coercivas do passado e por um crescente movimento independentista.
Como reagem a Gronelândia e a Dinamarca às investidas de Trump?
O Governo dinamarquês tem reiterado que não aceitará qualquer tentativa de ingerência externa, sublinhando os riscos para a estabilidade internacional. Do lado groenlandês, o discurso político tem convergido numa afirmação clara de soberania, com a formação recente de um governo de coligação de unidade nacional.
No acordo político que sustenta o executivo, a mensagem é inequívoca: a Gronelândia pertence aos seus habitantes. Ainda assim, qualquer passo rumo à independência terá de ser validado através de um referendo, conforme estipulado no acordo celebrado com a Dinamarca em 2009 — um processo que ganha agora nova relevância face à pressão geopolítica exercida por Washington.
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