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Os dados da Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e da Segurança Social confirmam uma queda acentuada das admissões nos últimos anos, lê-se num artigo do jornal Público.

Em 2021 registaram-se 2.175 entradas numa Estrutura Residencial para Pessoas Idosas (ERPI), número que caiu para 1.678 em 2022, 1.488 em 2023 e apenas 923 em 2024, menos 38% em quatro anos. Este decréscimo ocorre num país cada vez mais envelhecido, onde as famílias enfrentam dificuldades em suportar cuidados privados e a Segurança Social não consegue suprir a procura.

Em Outubro de 2024, por exemplo, haviam 832 utentes com alta clínica internados, com Lisboa, Porto e Setúbal a concentrar a maior pressão. Segundo o Instituto da Segurança Social (ISS), existem 533 vagas para internamentos sociais em todo o país, insuficientes face às necessidades e muitas destas vagas são temporárias.

Xavier Barreto, presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, alerta que o problema se agrava ano após ano. “O aumento é consistente, não há melhorias. Todos os anos piora”, afirma. Aliás, dados do Relatório de Avaliação de Desempenho e Impacto do Sistema de Saúde (RADIS) mostram mesmo que a taxa de internamentos sociais inapropriados cresceu quase 20% entre 2023 e 2025, com custos a disparar 83%.

Este ano morreram 21 utentes à espera de colocação, sendo que alguns casos são particularmente dramáticos, como um paciente que está internado há 1.682 dias à espera de cuidados de saúde mental, enquanto uma idosa de 1937 aguarda há 963 dias, de acordo com o jornal.

A legislação prevê a possibilidade de contratar vagas no setor privado ou com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa quando as vagas públicas se esgotam, mas, segundo responsáveis hospitalares, esta solução tem sido insuficiente e pouco frequente.

Rita Carvalho, diretora do Serviço Social da ULS Gaia e Espinho, confirma que os casos continuam a acumular-se, com famílias muitas vezes sem condições de cuidar dos idosos em casa e dependentes do Estado. “O problema cresce e não há respostas”, diz.

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