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O caso começou a 19 de maio, quando Zacharie e Barthélémy, dois irmãos franceses de três e cinco anos, foram encontrados sozinhos junto a uma zona de mato perto de Alcácer do Sal. As crianças foram localizadas por um popular, que alertou as autoridades, depois de terem sido deixadas naquele local pela mãe, Marine Rousseau, de 41 anos, e pelo padrasto, Marc Ballagriga, de 55 anos.

A descoberta desencadeou uma operação das autoridades portuguesas, que encaminharam os menores para os serviços de proteção de crianças e jovens. As circunstâncias em que os dois irmãos foram encontrados levaram à abertura de um processo criminal contra os dois adultos, que acabaram detidos pela GNR em Fátima.

O caso passou a envolver uma cooperação entre Portugal e França, uma vez que as crianças são francesas e regressaram posteriormente ao país de origem, onde as autoridades ficaram responsáveis por definir uma solução de acolhimento e proteção.

Irmãos passaram poucas horas com a avó antes de serem retirados

Depois de regressarem ao país de origem, as autoridades francesas colocaram temporariamente Zacharie e Barthélémy ao cuidado de estruturas de proteção infantil na região de Colmar. Inicialmente, os irmãos foram entregues à avó materna, numa tentativa de encontrar uma solução dentro da família, mas essa resposta acabou por durar poucas horas. Após um acidente sofrido por uma das crianças durante uma brincadeira, os serviços sociais decidiram retirar novamente os menores da responsabilidade da avó.

Os dois irmãos passaram então para uma família de acolhimento, onde permanecem acompanhados enquanto as autoridades francesas avaliam qual será a solução definitiva para o seu futuro. Entre as possibilidades está a análise das condições dos familiares que possam assumir a guarda.

O pai das crianças quebrou o silêncio após o caso se tornar público e revelou estar a aguardar autorização das autoridades para voltar a estar com os filhos. Em declarações a um canal francês, afirmou que pensa nos menores “a cada segundo” e pediu respeito pela privacidade das crianças, evitando uma exposição mediática que possa aumentar o sofrimento dos irmãos.

O progenitor terá mantido contacto com as autoridades e aguarda uma decisão sobre a possibilidade de assumir a guarda dos filhos. As equipas de proteção francesas estão agora a avaliar todas as circunstâncias familiares antes de definirem uma solução permanente.

Mãe e padrasto continuam em prisão preventiva em Portugal

Enquanto o futuro das crianças é decidido em França, em Portugal continua a decorrer o processo criminal contra Marine Rousseau e Marc Ballagriga.

A mãe dos menores permanece em prisão preventiva, estando indiciada pela prática de dois crimes de exposição ou abandono agravado. Já o padrasto enfrenta uma acusação mais pesada: está indiciado por dois crimes de exposição ou abandono e por um crime de ofensa à integridade física qualificada.

O Tribunal de Setúbal justificou a aplicação da prisão preventiva com o risco de fuga e de perturbação da investigação. Para os magistrados, existiam fortes indícios da responsabilidade dos dois arguidos no abandono dos menores.

Marc Ballagriga, antigo elemento da Gendarmerie francesa, é o arguido com a situação judicial mais complexa, devido à acusação adicional relacionada com alegadas agressões. Caso venha a ser condenado, poderá cumprir pena em Portugal.

A investigação do Ministério Público português continua a procurar esclarecer todos os detalhes do caso, nomeadamente as circunstâncias que levaram ao abandono das crianças e o grau de responsabilidade de cada um dos adultos envolvidos.

O processo mantém assim duas vertentes distintas: em Portugal, decorre a investigação criminal à mãe e ao padrasto; em França, as autoridades de proteção de menores tentam garantir que Zacharie e Barthélémy tenham uma solução segura e permanente para o futuro.

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