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Na celebração do 25 de abril no Parlamento, alguns deputados do Chega decidiram levar um cravo verde, segundo disse o líder do partido na sua intervenção no plenário: "Este cravo verde é o símbolo da nossa comunidade imigrante no mundo inteiro". Também o deputado Pedro Frazão publicou uma fotografia com o mesmo cravo no seu Instagram. "Usar um cravo negro a 25 de Abril é um sinal de luto por aquilo em que o país se está a transforma!", escreve.

Rapidamente nas redes sociais começaram a aparecer publicações que ligavam o cravo verde à história do escritor irlandês, Oscar Wilde. A deputada do Partido Socialista, Isabel Mayer Moreira, deixou uma mensagem na rede social X: "Não estava nos nossos planos agradecer à extrema-direita o cravo verde. 25 de abril sempre."

De acordo com a página do museu escocês, Dundee, em 1892, Oscar Wilde "pediu a amigos que usassem um cravo verde na lapela na estreia da peça Lady Windermere’s Fan". O gesto, aparentemente estético, viria a transformar-se num dos primeiros símbolos modernos de identidade gay.

O cravo verde era usado na lapela esquerda e rapidamente se tornou um "código" entre homens que sentiam atração por outros homens. A sua popularidade cresceu nos círculos associados a Oscar Wilde e ganhou notoriedade com o romance The Green Carnation (em tradução livre, "O cravo verde), publicado em 1894, por Robert Hichens, cujas personagens se inspiravam livremente no escritor e no seu grupo. A obra, considerada "escandalosa", terá contribuído para o clima que antecedeu o julgamento e a condenação de Oscar Wilde.

A referência ao cravo verde prolongou-se no tempo, surgindo também na opereta ("pequena ópera") Bitter Sweet, de Noël Coward, que incluiu uma canção com o mesmo nome, uma alusão ao universo gay.

Mas o significado do cravo verde "nunca foi totalmente explícito". Segundo a página de Oscar Wilde tours, liderada pelo historiador Andrew Lear, quando questionado, Oscar Wilde respondeu de forma enigmática: “Nada absolutamente, mas é precisamente isso que ninguém vai adivinhar.” Ainda assim, historiadores defendem que o escritor estava a ser "deliberadamente evasivo". Ao sugerir que os cravos podiam ser adquiridos numa florista londrina porque “lá os cultivavam”, Oscar Wilde evocava uma das ideias centrais do movimento decadente: a arte deve imitar a natureza, e não o contrário. Nesse sentido, a cor artificial da flor simbolizava o gosto pelo artificial, pelo estético e pelo “não natural”.

No contexto vitoriano, onde o termo “não natural” era frequentemente associado à homossexualidade, o cravo verde acabava por insinuar mais do que dizia. Ainda assim, não existe prova direta de que a flor fosse um símbolo universal da sexualidade gay. Tal como muitos elementos da história LGBTQ+, especialmente em épocas de repressão, o significado era codificado e acessível apenas a quem soubesse interpretá-lo.

O cravo verde não foi o único exemplo desta linguagem floral. No século XIX, a chamada "linguagem das flores", o uso de flores para comunicar mensagens, atribuía significados ocultos a várias espécies. Amores-perfeitos e lavanda, por exemplo, tornaram-se populares entre comunidades LGBTQ+, enquanto as violetas remetiam para Sappho, poeta da ilha de Lesbos cuja obra inspirou o termo “lésbica”.

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