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A revelação é feita pela BBC e surge numa altura em que o antigo duque está a ser investigado pela polícia britânica por suspeitas de má conduta em funções públicas. Na semana passada, a polícia do Vale do Tamisa renovou um apelo para que testemunhas ou pessoas com informações relevantes se apresentem.
Os documentos de um processo no Tribunal Superior britânico mostram que uma cópia do arquivo foi entregue ao Lord Chamberlain (Lorde Camareiro), o mais alto responsável administrativo da Casa Real, em maio de 2020. Um documento posterior, de 2022, refere que os emails foram entregues ao Palácio de Buckingham em julho desse ano.
Na altura, Andrew já tinha abandonado as funções de membro ativo da família real, após a polémica entrevista ao programa Newsnight, na qual tentou responder às acusações relacionadas com Jeffrey Epstein.
O Palácio recusou esclarecer o que fez com os emails, afirmando apenas que não comenta o assunto devido à investigação policial em curso.
Parte do conteúdo do arquivo já se tornou público. No início deste ano, o jornal Telegraph divulgou emails de 2010 que mostram Andrew a solicitar um briefing confidencial do Tesouro britânico sobre os problemas do sistema bancário islandês.
Segundo as mensagens, o antigo príncipe terá enviado essa informação a Jonathan Rowland, escrevendo algo semelhante a "antes de fazeres a tua jogada". O pai deste empresário, David Rowland, estava envolvido na aquisição de ativos ligados ao banco islandês Kaupthing, que colapsou durante a crise financeira.
Estes emails sugerem que Andrew poderá ter transmitido informação obtida através da sua posição oficial a interesses privados, uma das questões centrais da investigação atual.
Os documentos divulgados nos chamados "Epstein Files" nos Estados Unidos reforçaram a perceção de uma relação muito próxima entre Andrew e a família Rowland.
Nesses registos, Andrew aparece a promover negócios dos Rowland e a descrever David Rowland como o seu "homem de confiança para assuntos financeiros". Os documentos referem ainda que a ex-mulher de Andrew, Sarah Ferguson, recebeu um empréstimo bancário ligado aos Rowland.
A instituição financeira associada à família, Banque Havilland, acabaria por enfrentar sanções e ações regulatórias no Reino Unido e na União Europeia.
Como chegaram os emails ao Palácio?
Os emails foram originalmente retirados da conta de Jonathan Rowland durante um conflito empresarial. Mais tarde chegaram às mãos do empresário Kevin Stanford, antigo proprietário maioritário da marca de moda AllSaints, que estava envolvido numa disputa relacionada com investimentos ligados ao Kaupthing.
Segundo os tribunais, Stanford distribuiu cópias do arquivo a autoridades do Mónaco e do Luxemburgo, a jornalistas e também ao Lord Chamberlain, então William Peel, responsável pela supervisão da Casa Real durante o reinado da falecida Elizabeth II.
Pressões por mais transparência
O escritor e biógrafo Andrew Lownie defende que continua a existir falta de transparência sobre as atividades de Andrew enquanto enviado comercial. Lownie pede a abertura de um inquérito parlamentar e acusa as autoridades britânicas de continuarem a bloquear pedidos de acesso à informação.
Recentemente, o Ministério dos Negócios Estrangeiros recusou divulgar detalhes de uma viagem de Andrew ao Azerbaijão em 2011, invocando razões de segurança nacional e de aplicação da lei.
Situação atual
Andrew Mountbatten-Windsor nega qualquer irregularidade, tanto na sua relação com Jeffrey Epstein como no exercício das funções de enviado comercial. Também rejeita ter obtido benefícios pessoais através desse cargo.
Desde a ascensão de Charles III, a monarquia adotou uma posição mais dura em relação ao antigo príncipe. Após a sua detenção este ano, o rei afirmou publicamente que "a lei deve seguir o seu curso".
A principal questão levantada por estas revelações é saber se o Palácio de Buckingham analisou os 30 mil emails recebidos em 2020 e, caso tenha identificado possíveis indícios de irregularidades, se transmitiu essa informação às autoridades competentes. Até ao momento, não existe resposta pública a essa questão.
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