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A vítima, hoje na casa dos 40 anos, descreveu um quotidiano marcado pelo medo, controlo e violência. Em declaração divulgada depois da sentença, relatou que viveu décadas sem liberdade, privada de voz e dignidade, e que continua a sofrer os efeitos psicológicos do abuso. Disse ainda estar atualmente a reconstruir a sua vida junto de uma família que lhe oferece apoio, sublinhando, porém, que "nada pode recuperar os 25 anos" que lhe foram retirados.

O tribunal ouviu que a mulher tinha apenas 16 anos quando passou a viver na casa de Amanda Wixon, em Tewkesbury, nos anos 1990, numa estadia que deveria ser temporária. Acabou por permanecer ali durante décadas, impedida de sair de casa, sujeita a agressões físicas e obrigada a limpar a habitação de joelhos, enquanto os seus subsídios sociais eram controlados pela agressora.

A descoberta do caso, em 2021, expôs também falhas graves na resposta institucional. Vizinhos afirmaram ter alertado os serviços sociais ao longo dos anos, sem resultados, e o Ministério Público salientou que a vítima não teve qualquer acompanhamento médico ou dentário durante cerca de duas décadas. A acusação sustentou que a mulher "desapareceu da sociedade", sem que os mecanismos de proteção atuassem.

O juiz classificou a situação como tendo uma natureza "dickensiana" e organizações de apoio a vítimas de escravatura moderna defenderam mais formação para identificar sinais de servidão doméstica. O Gloucestershire County Council afirmou só ter tido conhecimento do caso com a investigação policial e anunciou uma revisão interna para apurar responsabilidades e prevenir abusos semelhantes.

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