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Em causa estão os discursos antissemitas, de negação do Holocausto e de elogio ao nazismo protagonizados pelo artista, agora conhecido como Ye. David Botelho, presidente da CIL, classifica como "chocante" a possibilidade de o Estado português mobilizar recursos públicos para um evento com fins lucrativos protagonizado por uma figura com um "discurso sinistro".
A posição da CIL surge no seguimento de cartas enviadas no início de abril aos presidentes das câmaras que gerem o estádio, ao ministro da Presidência e ao coordenador nacional para Combater o Antissemitismo e Promover a Vida Judaica. Até ao momento, a comunidade não obteve qualquer resposta das autoridades portuguesas.
O documento enviado ao Executivo sublinha que os recursos públicos não devem servir quem "polui e trai" a liberdade de expressão com atitudes intoleráveis. A CIL recorda ainda o contexto internacional e diz que enquanto países como França e a Polónia se opuseram à realização de concertos e o Reino Unido recusou o visto ao músico, Portugal disponibiliza uma infraestrutura pública para o acolher.
Aos 48 anos, o rapper americano tem visto a sua carreira marcada por uma queda abrupta de popularidade e perda de contratos comerciais devido a comentários racistas e antissemitas. Embora o músico alegue que o seu comportamento se deve ao transtorno bipolar de que padece, os incidentes têm-se acumulado: em 2023 afirmou "adorar os nazis" e, em maio de 2025, lançou o tema "Heil Hitler", cuja transmissão foi proibida nas principais plataformas de streaming.
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