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À medida que os fenómenos climáticos extremos se tornam mais frequentes, aumenta também a necessidade de preparação financeira para fazer face aos seus impactos. Danos em habitações, veículos ou outros bens podem representar custos elevados e comprometer a capacidade de cumprir obrigações financeiras.

Uma das principais recomendações do Banco de Portugal passa pela criação de um fundo de emergência, destinado a suportar despesas inesperadas. Esta reserva financeira pode ser utilizada para pagar pequenas reparações de bens afetados por tempestades, cheias ou incêndios, bem como para cobrir outras necessidades até à chegada de eventuais indemnizações de seguros, apoios públicos ou à reorganização do orçamento familiar.

Para constituir este fundo, é aconselhado calcular o total das despesas mensais, incluindo encargos fixos e variáveis, e multiplicar esse valor por um período entre quatro e seis meses. No caso dos trabalhadores por conta própria, é sugerido um horizonte temporal mais alargado, devido à maior incerteza dos rendimentos.

A poupança deve ser encarada como uma despesa fixa do orçamento mensal, sendo recomendável reservar o montante definido logo no início de cada mês. O reembolso do IRS ou subsídios de férias e de Natal podem também ser utilizados para reforçar o fundo de emergência. Sempre que existam alterações significativas nos rendimentos ou nas despesas, as metas de poupança devem ser revistas.

Outra recomendação indicada é aplicar o fundo de emergência em produtos financeiros que permitam acesso rápido ao dinheiro. Depósitos a prazo ou contas poupança com liquidez imediata são apontados como opções adequadas, desde que permitam a mobilização dos fundos quando necessário.

A garantia de capital é igualmente considerada essencial. Os depósitos bancários, por exemplo, asseguram o reembolso do montante aplicado e beneficiam da proteção do Fundo de Garantia de Depósitos, que cobre valores até 100 mil euros por depositante e por instituição em caso de insolvência do banco.

Sempre que possível, recomenda-se ainda a escolha de produtos financeiros cuja remuneração permita compensar os efeitos da inflação, evitando a perda de valor da poupança ao longo do tempo.

As sugestões incluem também a adoção de comportamentos mais sustentáveis, capazes de beneficiar simultaneamente o ambiente e o orçamento familiar. A utilização de equipamentos com melhor eficiência energética, a melhoria do isolamento das habitações, a substituição de janelas ou a instalação de painéis fotovoltaicos são algumas das medidas apontadas. A opção por meios de transporte mais sustentáveis pode igualmente traduzir-se em poupanças financeiras no curto, médio e longo prazo.

É ainda aconselhado verificar a existência de programas públicos de apoio à eficiência energética para os quais os cidadãos possam ser elegíveis.

Caso ocorram perdas na sequência de um fenómeno climático extremo, a recomendação passa por avaliar o impacto financeiro da situação, tanto nas despesas como nos rendimentos, não apenas de forma imediata, mas também a médio prazo.

O planeamento da recuperação é considerado fundamental. Deve ser analisado se o aumento das despesas é temporário e pode ser suportado pelo fundo de emergência ou se, pelo contrário, representa uma alteração permanente que exige mudanças estruturais no orçamento, incluindo a redução ou eliminação de despesas consideradas supérfluas.

Por fim, é aconselhado recorrer aos mecanismos de proteção disponíveis, verificando a existência de seguros que possam ser acionados, bem como de apoios ou indemnizações públicas que contribuam para minimizar os impactos financeiros resultantes de fenómenos climáticos extremos.

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