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Falar de dinheiro com crianças e jovens continua a ser um desafio para muitas famílias. Seja por receio de transmitir preocupações, por falta de à-vontade ou por considerarem que o tema ainda não é adequado à idade dos mais novos, as questões financeiras acabam frequentemente por ficar de fora das conversas familiares.

No entanto, segundo o Doutor Finanças, a relação com o dinheiro começa a desenvolver-se muito antes da idade adulta. As atitudes observadas nas rotinas dos adultos, como comprar, poupar, fazer escolhas ou lidar com limitações, contribuem para a construção de hábitos, emoções e comportamentos que podem perdurar ao longo da vida.

Para crianças entre os 3 e os 5 anos, a recomendação passa por criar familiaridade com o tema através da observação e da brincadeira. Atividades como brincar às lojas, identificar moedas e notas ou assistir aos adultos a efetuarem pagamentos ajudam a compreender a função do dinheiro sem necessidade de introduzir conceitos financeiros mais complexos.

Dos 6 aos 9 anos, as crianças começam a fazer escolhas mais conscientes e a perceber que nem sempre obtêm os resultados desejados. Nesta fase, o guia sugere que sejam incentivadas a tomar pequenas decisões relacionadas com dinheiro, permitindo-lhes aprender com os próprios erros. A introdução de uma pequena semanada ou de um valor simbólico para gerir em situações concretas pode contribuir para essa aprendizagem.

Entre os 10 e os 12 anos, surge uma maior compreensão dos limites associados às escolhas financeiras. Comparar preços, definir montantes máximos para gastar, perceber que optar por uma coisa implica abdicar de outra e poupar para alcançar objetivos específicos são alguns dos exercícios recomendados. Dependendo da maturidade da criança, esta pode também ser uma fase adequada para a transição da semanada para a mesada.

Já entre os 13 e os 15 anos, fatores como as redes sociais, a publicidade digital, os influenciadores e a comparação com os amigos podem aumentar a pressão para consumir. O Doutor Finanças considera importante ajudar os jovens a distinguir necessidades de desejos, promovendo uma reflexão mais crítica sobre os seus hábitos de consumo. A mesada é apontada como uma ferramenta útil para planear despesas, definir prioridades e estabelecer objetivos de poupança.

Dos 16 aos 18 anos, a autonomia financeira ganha maior relevância. Nesta fase podem surgir as primeiras experiências de gestão de dinheiro próprio, através de uma mesada mais abrangente, de trabalhos sazonais ou de um emprego em part-time. Ao mesmo tempo, aumentam as despesas relacionadas com compras online, subscrições, transportes ou atividades de lazer. O guia recomenda que os jovens sejam incentivados a refletir sobre o impacto acumulado dos pequenos gastos e sobre a forma como estes podem influenciar o orçamento disponível.

Além das conversas adaptadas a cada etapa do desenvolvimento, o Doutor Finanças sugere a utilização de estratégias complementares, como mealheiros, jogos, histórias ou desafios familiares, para tornar a aprendizagem mais prática e acessível.

O objetivo, sublinha a entidade, não é ensinar fórmulas, mas ajudar crianças e jovens a desenvolver uma relação saudável com o dinheiro, baseada em escolhas conscientes, responsabilidade, autonomia e capacidade de adaptação.

O manual completo “Como falar de dinheiro com os mais novos” encontra-se disponível no portal do Doutor Finanças.

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