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De acordo com a nutricionista Maria Clara, “uma caloria mantém o seu valor independentemente da hora do relógio”, sendo que o que motiva o aumento de peso é o excesso calórico ingerido ao longo do dia e não o momento em que se come. Apesar disto, a especialista garante que a altura do dia em que se faz uma refeição também importa.
“Um estudo coordenado por Frank Scheer, investigador em cronobiologia em Harvard, mostrou que refeições idênticas geram uma resposta glicémica e insulínica mais elevada quando ingeridas mais tarde no dia, mesmo mantendo a ementa e a quantidade constantes”, explicou a nutricionista em declarações ao 24notícias. “Ou seja, o organismo tende a processar a mesma energia de forma menos eficiente à noite”, afirmou.
A especialista garantiu que ao fim do dia há tendência para optar por refeições menos equilibradas e doses maiores devido ao cansaço, ao stress acumulado ou ao facto de uma hora tardia possibilitar um momento para relaxar. Desta forma, afirmou que “não é o relógio que engorda por si só, mas é a combinação entre uma resposta metabólica ligeiramente menos eficiente à noite e o contexto em que normalmente se come a essa hora”.
A nutricionista na clínica Filipa Costa defendeu que quanto mais tarde se come, maior é a probabilidade de essa refeição ser feita sem “fome real” e apenas por hábito ou ansiedade. Apontou ainda a tendência de ingerir “snacks extra” à frente da televisão à noite como um comportamento que pode provocar ganho de peso.
“É este conjunto de fatores que pode, de forma indireta, favorecer o aumento de peso, não a hora em si”, garantiu Maria Clara.
Segundo a nutricionista, não existe uma queda abrupta do metabolismo quando o corpo está em repouso, mas admite que há uma redução da atividade metabólica e da sensibilidade à insulina com o avançar do dia. Estes fatores são regulados pelo relógio cicardiano central, que está sincronizado com os ciclos da luz e da escuridão e que influencia a forma como o organismo gere a glicose.
“A capacidade do nosso corpo para gerir o açúcar no sangue não é igual ao longo do dia: de manhã, o organismo lida com a glicose de forma mais eficiente e essa eficiência vai diminuindo à medida que o dia avança. À noite, produzimos menos insulina e as nossas células tornam-se menos sensíveis a esta hormona. Na prática, isto significa que a mesma refeição — os mesmos alimentos, nas mesmas quantidades — pode provocar um pico de açúcar no sangue mais elevado se for consumida ao jantar do que se fosse consumida ao pequeno-almoço”, afirmou Maria Clara. “Não é correto dizer que ‘tudo vira gordura’, mas é correto dizer que a capacidade de gestão energética diminui”, garantiu.
Comer perto da hora de dormir pode ainda causar desconforto digestivo e influenciar a qualidade do sono. A nutricionista Maria Clara explicou que a privação do sono provoca alterações nas hormonas que regulam o apetite, o que estimula uma ingestão calórica excessiva no dia seguinte.
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