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Magyar, antigo membro do círculo de Orbán que rompeu com o governo, tem liderado uma campanha altamente mobilizadora, percorrendo o país com um ritmo exigente, por vezes com vários discursos por dia, e apostando no contacto direto com os eleitores. O seu movimento político, Tisza, conseguiu algo raro na política húngara recente: unir diferentes correntes da oposição e canalizar um descontentamento generalizado numa única candidatura. Esse apoio é particularmente visível entre os jovens, muitos dos quais nunca viveram sob outro governo que não o de Orbán, e que veem nesta eleição uma oportunidade real de mudança, avança a BBC.
As sondagens dão vantagem a Magyar, com uma liderança média de cerca de 10 pontos percentuais, e os seus comícios têm registado níveis de participação invulgares. Um dos momentos mais marcantes da campanha foi um grande concerto e manifestação anti-governo em Budapeste, que reuniu dezenas de milhares de pessoas, sinalizando um forte nível de mobilização contra o Fidesz.
Ainda assim, Orbán mantém uma base eleitoral sólida e disciplinada, incluindo eleitores mais discretos que poderão não estar refletidos nas sondagens. A sua campanha tem sido mais defensiva, centrada na ideia de preservar a estabilidade e os ganhos alcançados durante os seus anos no poder. Tem alertado que uma derrota poderá significar perder “tudo o que foi construído” e tem apelado à unidade nacional.
Um dos eixos da sua estratégia passa por reforçar uma narrativa de ameaça externa, apontando a União Europeia e a Ucrânia, liderada por Volodymyr Zelensky, como potenciais riscos para a Hungria. Esta retórica tem sido amplificada por meios de comunicação próximos do governo, mas não parece ter sido suficiente para travar o avanço de Magyar nas sondagens.
Orbán posicionou-se como um aliado próximo de Donald Trump e de Vladimir Putin, o que lhe deu protagonismo global, mas também criou tensões com parceiros europeus e com a Ucrânia. Durante a campanha, recebeu apoio explícito de figuras norte-americanas, incluindo promessas de reforço económico em caso de vitória.
Por outro lado, uma parte significativa do eleitorado manifesta descontentamento com questões internas, como alegações de corrupção, favoritismo a círculos próximos do poder e controlo de instituições e meios de comunicação por aliados do governo. Estes fatores têm contribuído para a erosão do apoio ao Fidesz, inclusive em regiões que tradicionalmente eram seus bastiões.
Apesar do entusiasmo da oposição, a vitória de Magyar não garantiria automaticamente mudanças profundas. Sem uma maioria de dois terços no parlamento, terá dificuldades em alterar leis estruturais e reduzir a influência do Fidesz em áreas como o sistema judicial e outras instituições-chave, moldadas ao longo de anos de governação.
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