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A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e a Proteção Civil alertaram que os diques (margens de proteção) ao longo da bacia do Mondego estão sob “risco claro” ou “significativo” de colapso/ruptura devido à grande quantidade de água trazida pelas chuvas persistentes e intensas.

Esta tarde, por volta das 18h00, o dique da Ponte dos Casais rompeu na zona de São João do Campo, junto a um viaduto da A1. Pela localização, não há habitações em risco.

As previsões meteorológicas indicam chuvas muito fortes, equivalentes a uma percentagem significativa da precipitação anual em poucos dias ou até horas, o que aumenta a pressão sobre estas estruturas.

Como medida de precaução, as autoridades têm ordenado a retirada preventiva de milhares de pessoas que vivem junto às margens do rio em áreas de risco — mais de 3000 pessoas em Coimbra, Montemor-o-Velho e Soure.

Os diques já rebentaram no passado?

Durante o inverno de 2001, o rio Mondego sofreu um episódio de cheia muito intenso. Vários pontos dos diques do Baixo Mondego romperam (incluindo ao redor de Coimbra e Montemor-o-Velho), com o primeiro rebentamento registado junto a Casais.

Na altura, foram documentados cerca de 12 a 14 pontos onde os diques falharam, permitindo que a água saísse do canal principal e inundasse campos e povoações.

O rebentamento ocorreu quando o caudal do rio ultrapassou cerca de 1 700 m³/s, valor abaixo do que os diques estavam projetados para suportar, provocando inundações graves naquela época.

Mais recentemente, em 2019, ocorreram falhas em alguns pontos dos diques (no canal principal e no leito periférico direito), mas de forma mais limitada do que em 2001. Nesse ano, apenas alguns locais junto às margens ficaram inundados.

Conhecer o Mondego é importante

Em declarações ao Diário de Coimbra, Paulo Palrilha, especialista em Proteção Civil, comandante do Batalhão de Sapadores Bombeiros de Coimbra e autor de uma tese de mestrado sobre as causas e consequências das cheias no Baixo Mondego em 2001, lembra como olhar para o rio para prevenir um novo evento semelhante.

"Hoje sabemos que para haver cheias no Baixo Mondego, há, primeiro, inundações no Cabouco", nota. "Esse é o primeiro sinal".

"Depois, é monitorizar na Ponte Açude a quantidade de água que passa, saber se os diques estão a descarregar ou não, e pôr no terreno agentes de proteção civil, bombeiros e autoridade policial para monitorizar toda a obra hidráulica, avisar e apoiar as populações", referiu ainda.

Desde 2001, as obras de reforço e sistemas de alívio (descarregadores sifão e o chamado “dique fusível”) foram projetados para gerir melhor eventos extremos, mas extremos de chuva ainda podem superar essas defesas em situações extremas.

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