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O Climáximo reagiu à morte de duas irmãs idosas, ocorrida no último domingo numa estufa na Póvoa de Varzim, enquanto faziam a colheita de produtos para vender na feira local, considerando que o caso resulta da crise climática e acusando governos e empresas de combustíveis fósseis de responsabilidade pelas consequências das ondas de calor.

Em comunicado, a porta-voz do coletivo, Leonor Canadas, afirma que "estamos perante uma tragédia, mas não uma tragédia natural", defendendo que se trata de "um crime cometido por sucessivos governos e empresas que há mais de cinco décadas ignoram a ciência climática e decidem continuar a explorar combustíveis fósseis".

O Climáximo sustenta que estas duas mortes representam "apenas a ponta do iceberg" das mortes em excesso que poderão ser registadas durante o atual período de calor intenso. O coletivo critica ainda a atuação do Governo, considerando que, apesar dos sucessivos alertas, não foram adotadas medidas para proteger os trabalhadores expostos ao calor extremo.

Segundo Leonor Canadas, o Executivo optou por proteger "o lucro das empresas e dos patrões, e não a saúde das pessoas que trabalham", classificando como "vergonhosa" a posição do Governo e da ministra do Trabalho, que acusa de nada terem feito para implementar medidas de proteção face às temperaturas extremas.

A porta-voz afirma ainda que não está surpreendida com a atuação governamental e defende que "só o povo salvará o povo", apelando à mobilização da sociedade para alterar o rumo que, na perspetiva do coletivo, conduz ao colapso climático.

Nos últimos dias, o Climáximo refere ter promovido várias iniciativas em Lisboa para apoiar a população durante a onda de calor, incluindo "brigadas populares de refresco" em zonas afetadas pelo fenómeno da ilha de calor, com estações de arrefecimento, distribuição gratuita de água e um "abrigo de calor solidário", em colaboração com a cooperativa Rizoma.

O coletivo defende que o aumento das temperaturas resulta das emissões de gases com efeito de estufa, que atribui a "escolhas de dirigentes económicos, políticos e financeiros" que continuam a apostar na queima de combustíveis fósseis, apesar das consequências para as populações.

No comunicado, Leonor Canadas afirma ainda que "a morte das duas irmãs em Póvoa do Varzim, assim como todas as mortes provocadas pelo calor em excesso têm culpados", apelando à população para travar os responsáveis e assegurar "uma vida justa num planeta habitável".

O Climáximo termina apelando à participação da população na luta contra as ondas de calor e os incêndios e convida os interessados a integrarem ações de solidariedade relacionadas com estes fenómenos através do formulário disponível no seu site.

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