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O material, apelidado informalmente de “ShipGoo001” (mixórdia do barco, em tradução livre), revelou-se repleto de microrganismos, incluindo espécies nunca antes identificadas, que prosperavam num ambiente sem oxigénio no interior do eixo — uma zona fechada e isolada. Entre o ADN encontrado, parte correspondia a micróbios já registados noutros locais do mundo, desde substâncias semelhantes a alcatrão no Mediterrâneo a sedimentos contaminados no Canadá e zonas costeiras dos EUA e da Alemanha, conta a CNN.
Os cientistas querem agora recolher mais amostras sem alterar o ambiente original, para perceber melhor a ecologia destes microrganismos, o seu potencial impacto (incluindo possível biocorrosão do aço do navio) e eventuais aplicações, como a produção de biocombustíveis através de organismos produtores de metano.
A origem do “goo” ainda é incerta: pode ter-se desenvolvido no próprio leme ou chegado de fora, possivelmente através de “neve marinha” — agregados orgânicos que afundam na coluna de água. O historial do navio, comprado em segunda mão há quase 30 anos, também está a ser investigado para perceber se houve contacto prévio com lubrificantes ou contaminantes.
Para os investigadores, este achado é um lembrete de que ambientes artificiais podem criar habitats inesperados para a vida microscópica — e que descobertas surpreendentes podem surgir mesmo em lugares improváveis, se houver curiosidade para olhar mais de perto.
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