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Delegações provenientes de Pequim, Xangai, Shenzhen, Macau e Hong Kong participaram recentemente em reuniões com empreendedores portugueses e hubs de inovação. Inteligência artificial, green tech, fintech, biotecnologia e software empresarial estiveram entre os setores que mais despertaram interesse, refletindo áreas onde Portugal tem demonstrado capacidade de inovação rápida e soluções escaláveis.

"Não estamos aqui apenas para investir capital. As startups portuguesas são extremamente ágeis, criativas e eficientes na forma como transformam investigação em produto. Queremos investir, mas também aprender com estes modelos para adaptar boas práticas e tecnologias ao ecossistema chinês", afirmou Zhang Rui, diretor do fundo Beijing Horizon Ventures, ao 24notícias.

A mesma visão foi partilhada por Liang Wei, sócio da Shenzhen Innovation Capital, que destacou o país como um laboratório de inovação. "Portugal funciona como um excelente campo de teste para novas ideias. O nosso objetivo passa por criar parcerias estratégicas, onde possamos co-desenvolver soluções e, posteriormente, implementá-las em startups e empresas tecnológicas na China, à escala do nosso mercado", explicou.

O interesse do setor privado é acompanhado por um sinal político deste país asiático. Uma delegação do Ministério da Ciência e Tecnologia da China, por exemplo, marcou presença na Web Summit, sublinhando a importância de Portugal como parceiro estratégico na cooperação científica e tecnológica. Zhou Min, vice-diretora do departamento de cooperação internacional, afirmou, agora, que o nosso país é visto como um exemplo de inovação eficiente. "Portugal combina talento, criatividade e capacidade de execução. Para a China, é fundamental aprender com estas experiências e integrar soluções portuguesas nos nossos programas de inovação e empreendedorismo", disse ao 24notícias.

China startups
China startups

Segundo a responsável do governo de Xi Jinping, o ministério está a trabalhar em mecanismos que promovam investimento bilateral, projetos conjuntos de investigação aplicada e intercâmbio entre startups. "Não se trata apenas de financiamento, mas de criar pontes de conhecimento que permitam às startups chinesas evoluir com base em ideias testadas e bem-sucedidas em Portugal", acrescentou.

Empreendedores portugueses veem também esta aproximação como uma oportunidade estratégica. Inês Almeida, cofundadora de uma startup de inteligência artificial na área da saúde, considera que o interesse chinês vai além do habitual. "É diferente quando um investidor quer perceber como pensamos, como desenvolvemos produto e como testamos soluções. Isso abre portas não só a financiamento, mas também a parcerias tecnológicas profundas e acesso ao mercado chinês", diz ao 24notícias.

Os contactos estabelecidos deverão agora evoluir para processos de due diligence, acordos de investimento e programas de cooperação tecnológica. Se para Portugal a aproximação chinesa consolida o país como um hub europeu de inovação, para a China representa "uma oportunidade de absorver conhecimento, acelerar a inovação interna e reforçar a competitividade das suas próprias startups no cenário global", diz Zhang Rui.

Além do investimento direto, está também em cima da mesa a criação de programas de intercâmbio entre startups, que poderão incluir períodos de incubação cruzada, com empreendedores portugueses a desenvolver projetos em centros de inovação chineses e fundadores chineses a passarem por aceleradoras em Portugal. A iniciativa pretende facilitar a transferência de conhecimento, metodologias de gestão e desenvolvimento tecnológico, permitindo que soluções criadas em Portugal sejam rapidamente adaptadas a mercados de grande escala.

Para especialistas do setor, a crescente atenção da China ao ecossistema português reflete também uma mudança estratégica de Pequim, que procura diversificar as suas fontes de inovação externa. "Portugal é visto como um país pequeno em dimensão, mas grande em capacidade de experimentação e criatividade. Ao investir e aprender com startups portuguesas, a China ganha acesso a ideias testadas num contexto europeu e pode escalá-las rapidamente, enquanto Portugal beneficia de capital, visibilidade internacional e acesso a um dos maiores mercados do mundo", conclui Inês Almeida.

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