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As autoridades chinesas voltaram a restringir as iniciativas de homenagem às vítimas da repressão de Tiananmen, impedindo familiares de visitarem um cemitério em Pequim no dia em que se assinalaram 37 anos sobre a intervenção militar que pôs fim aos protestos pró-democracia de 1989, diz a Associated Press (AP).

Segundo a Amnistia Internacional, os familiares reunidos no grupo Mães de Tiananmen costumam visitar os túmulos das vítimas e ler declarações de homenagem sob vigilância policial. Este ano, porém, as autoridades impediram essas visitas, numa medida que a organização considera mais um sinal do agravamento da repressão em torno da memória dos acontecimentos.

Em 1989, centenas ou possivelmente milhares de pessoas morreram quando tropas chinesas avançaram sobre multidões que tentavam impedir a chegada do exército à Praça Tiananmen, em Pequim, onde estudantes e outros manifestantes exigiam mais liberdade e reformas democráticas. A decisão do Partido Comunista Chinês de recorrer à força militar tornou-se um dos momentos mais marcantes da história moderna do país.

As Mães de Tiananmen divulgaram, como habitualmente, um apelo à justiça antes do aniversário. A declaração, assinada por 107 pessoas, exige a divulgação completa dos acontecimentos, compensações para as vítimas e respetivas famílias, bem como a responsabilização legal dos responsáveis. Num vídeo divulgado no Facebook, plataforma bloqueada na China, Zhang Xianling, membro do grupo, afirmou que a dor pela perda dos familiares permanece viva e classificou a repressão como um crime.

A Amnistia Internacional considerou particularmente preocupante a proibição das visitas aos túmulos. Sarah Brooks, diretora-adjunta da organização para a Ásia, descreveu a medida como um ato desumano por parte das autoridades chinesas.

Em Hong Kong, onde durante anos se realizaram vigílias multitudinárias à luz de velas para assinalar a data, a polícia reforçou a segurança em redor dos locais tradicionalmente associados às comemorações. Algumas pessoas tentaram prestar homenagem às vítimas, mas várias foram abordadas pelas autoridades. A polícia informou que sete indivíduos foram intercetados e revistados por suspeitas de comportamento desordeiro em público, tendo sido posteriormente libertados.

Entre os visados esteve a ativista Chan Po-ying, que segurava uma flor de papel amarela quando foi conduzida por agentes para uma carrinha policial perante jornalistas.

As vigílias anuais em Hong Kong estão proibidas desde 2020. Inicialmente, as autoridades justificaram a decisão com a pandemia de Covid-19. Entretanto, três antigos organizadores desses eventos foram acusados ao abrigo da lei de segurança nacional aprovada nesse mesmo ano. Um deles declarou-se culpado, enquanto os outros dois aguardam decisão judicial após julgamento.

Uma dessas organizadoras, a advogada Chow Hang-tung, anunciou através de uma publicação online que iniciaria uma greve de fome de 37 horas na prisão para assinalar o aniversário. Na mensagem, afirmou que por detrás do poder e da ditadura permanecem o sangue e os sonhos destruídos de pessoas comuns.

A data foi também assinalada internacionalmente. Os Estados Unidos, a União Europeia e o Reino Unido publicaram mensagens nas redes sociais em memória das vítimas. Numa declaração citada pela AP, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou que “nenhuma quantidade de censura pode apagar o passado” e defendeu que aqueles que lutaram pela liberdade de expressão e pelo direito de reunião pacífica serão um dia reconhecidos.

A resposta de Pequim surgiu através da porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Mao Ning, que acusou Washington de difamar o sistema político chinês e apelou aos Estados Unidos para que deixem de utilizar os temas da democracia e dos direitos humanos como pretexto para interferir nos assuntos internos da China.

Também no Capitólio, em Washington, legisladores norte-americanos, antigos líderes estudantis do movimento de 1989 e apoiantes reuniram-se para recordar o aniversário da repressão. Entre eles esteve Arthur Liu, antigo líder estudantil e pai da campeã olímpica de patinagem artística Alysa Liu, que apelou à preservação da memória do movimento e à lembrança daqueles que continuam presos devido ao seu ativismo pró-democracia.

Em Taiwan realizou-se igualmente uma vigília anual, embora a participação tenha sido reduzida devido a uma forte tempestade, reunindo cerca de 200 pessoas.

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