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O departamento de meteorologia e hidrologia do Nepal esteve a estudar a origem da catástrofe, que até agora vítimou 157 pessoas, e refere que é possível que tenha tido origem num deslizamento de um grande bloco de gelo, do lado do Tibete. Segundo o Serviço Geológico dos EUA, o sismo foi provocado por este deslizamento, tal como as cheias.

O conjunto destes eventos fez uma onda de destruição nas regiões montanhosas do Nepal, sobretudo no distrito de Rasuwa, onde as águas do rio Bhote Koshi galgaram as margens e arrastaram habitações, carros, pontes e aldeias inteiras.

Segundo o The Guardian, as autoridades indicaram que 384 turistas estão desaparecidos, incluindo 291 estrangeiros de países como a Índia, os EUA, o Reino Unido e a Malásia.

O ministério dos Negócios Estrangeiros confirma que uma portuguesa está entre os desaparecidos no Nepal e segundo a mesma fonte a cidadã portuguesa encontrava-se com um grupo de pessoas num posto de controlo fronteiriço do lado do Nepal. Entretanto, o Governo avança que há mais um português entre os desaparecidos.

"O MNE confirma um segundo cidadão nacional, desta vez do sexo masculino, dado como desaparecido no seguimento do desastre no Nepal. Continuamos a acompanhar a situação ao minuto", refere uma nota enviada à Lusa.

As equipas de emergência enfrentam dificuldades para chegar às zonas mais afetadas. Os helicópteros de salvamento não conseguiram aterrar em Syapru Besi e Timure, devido ao elevado nível das águas. O exército nepalês afirmou que as operações aéreas só deverão avançar quando as condições permitirem.

“Há devastação por todo o lado”, relatou Tula Bahadur BK, um profissional de saúde de Rasuwa, citado pela Reuters. Segundo o responsável, as povoações junto ao rio foram completamente destruídas e cinco dos seus familiares continuam desaparecidos.

Segundo a ONU, "no Nepal, as Nações Unidas estão a apoiar a resposta liderada pelo Governo, incluindo a avaliação da dimensão do desastre e a prestação de assistência urgente", explicou Stéphane Dujarric, representante da ONU.

As autoridades locais ordenaram aos habitantes das zonas mais baixas e das margens do Bhote Koshi que se desloquem para locais seguros, perante o risco de novas inundações e deslizamentos.

No lado chinês da fronteira, as autoridades do Tibete alertaram também para a possibilidade de “grandes perdas humanas” depois de um deslizamento de terras ter atingido a zona fronteiriça de Gyirong. O incidente cortou estradas e afetou as ligações de comunicações e energia na região de Shigatse.

O presidente chinês, Xi Jinping, apelou a esforços de busca “a todo o custo” para localizar os desaparecidos e defendeu o reforço dos sistemas de monitorização e alerta precoce, com o objetivo de evitar novas catástrofes.

Do governo indiano, há apoio, com dez toneladas de ajuda prontas para chegarem ao Nepal nas próximas horas

As cheias também afetaram significativamente a produção de eletricidade no Nepal. Segundo o Ministério da Energia nepalês, cerca de 430 megawatts de capacidade elétrica foram afetados, sobretudo devido a danos em projetos hidroelétricos. O valor corresponde a mais de 12% da capacidade hidroelétrica total do país, estimada em 3,2 gigawatts.

A origem exata das inundações ainda não foi determinada. No entanto, a região já tinha sido atingida por uma cheia mortal no mesmo rio no ano passado. O desastre de então provocou nove mortes e destruiu uma ponte que ligava o Nepal à China, interrompendo o comércio e os transportes durante vários meses.

* Artigo atualizado às 22h45.

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