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Uma investigação da RTP sobre Mafalda Guerra, conhecida nas redes sociais como Mafalda Livermore, desencadeou uma forte polémica política e uma crise interna no partido Chega. Mafalda Guerra, que era vogal da administração dos Serviços Sociais da Câmara Municipal de Lisboa, foi exonerada do cargo depois de a reportagem revelar que estaria associada a vários imóveis usados como habitações clandestinas arrendadas a imigrantes, alegadamente sem recibos e em condições precárias de habitabilidade.
A polémica agravou-se porque Mafalda Guerra é namorada de Bruno Mascarenhas, vereador do Chega na Câmara de Lisboa, o que levantou suspeitas sobre a forma como chegou ao cargo. Já em janeiro tinham surgido notícias de que a relação entre ambos poderia ter influenciado a nomeação, gerando um conflito interno com a vereadora Ana Simões Silva, que entretanto abandonou o grupo municipal do Chega e passou a independente, integrando o executivo liderado por Carlos Moedas.
Após a divulgação do caso, a deputada do Chega Rita Matias criticou duramente a situação num programa televisivo do canal Now. Considerou o caso “absolutamente condenável” e afirmou esperar que sejam retiradas consequências políticas, defendendo que Bruno Mascarenhas deveria demitir-se para evitar que o partido seja prejudicado por comportamentos que o envergonham.
A posição foi reforçada pelo pai da deputada, Manuel Matias, antigo candidato autárquico do Chega, que apelou publicamente à demissão de Mascarenhas e à sua saída do partido. Num comentário nas redes sociais, disse sentir “vergonha alheia” e pediu desculpa aos portugueses em nome dos militantes do partido.
A investigação jornalística revelou ainda outros aspetos polémicos. Mafalda Guerra apresenta-se como criminologista e especialista em violência doméstica e abuso sexual, além de prestar alegados serviços de assessoria jurídica, mas apenas entrou no curso de Direito da Universidade Autónoma de Lisboa em 2024 e ainda é estudante. Segundo a RTP, existem queixas na Ordem dos Advogados de pessoas que afirmam ter pago pelos seus serviços sem que os processos avançassem. O caso estará também a ser investigado pelo Ministério Público.
Além disso, a polémica surge num contexto de outras controvérsias no gabinete de Bruno Mascarenhas, incluindo a nomeação de Sofia Borges Neves, sua prima, para responsável pelas redes sociais, o que alimentou acusações de favorecimento.
A Câmara Municipal de Lisboa justificou a exoneração de Mafalda Guerra com uma “quebra de confiança institucional”. O presidente da autarquia, Carlos Moedas, afirmou que agiu imediatamente após a divulgação da reportagem. Já o líder do Chega, André Ventura, disse que a própria Mafalda Guerra pediu a exoneração em nome da transparência e que pretende recorrer aos tribunais para contestar o que considera serem acusações falsas.
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