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Esta quarta-feira, o líder do Chega falou aos jornalistas sobre a situação do ministro da Administração Interna, estava no ar a possibilidade de uma moção de censura, que se veio confirmar.
O líder do Chega considera que Luís Neves “não é talhado” para o cargo e acusa-o de assumir uma postura de “quero, posso e mando”.
Para Ventura, "Se continuarmos a ter Luís Neves, a autoridade de Montenegro está colocada em causa”, afirmou.
O presidente do Chega criticou ainda a resposta do ministro às acusações que lhe têm sido dirigidas, defendendo que era necessário um “esclarecimento cabal e resposta, não ameaça”. “É fanfarronice”, acrescentou.
O líder do Chega deixou também um alerta sobre a postura do ministro, considerando que a “lógica do rei absoluto é um perigo para a democracia” e pode conduzir a uma situação de “insustentabilidade”.
Perante a recusa de Luís Neves em abandonar o cargo, o Chega decidiu avançar com uma moção de censura ao Governo. Ventura garante que a iniciativa pretende obter respostas e responsabilizar politicamente o Executivo.
Se a moção for chumbada, o líder partidário diz avançar para uma Comissão de Inquérito ao ministro.
André Ventura defende que uma crise política não pode estar sempre a afastar a necessidade de escrutínio. “Estas suspeitas não são pequenas nem minudências. Para quem tutela a legalidade, colocam em causa de forma direta e severa a sua autoridade e colocam suspeitas sobre a forma como geriu o cargo na PJ e favores políticos foram atribuídos ou negados nesta gestão”.
Será que moção de censura passa?
A aprovação da moção de censura exige uma maioria absoluta dos deputados em efetividade de funções, ou seja, pelo menos 116 votos favoráveis num Parlamento com 230 deputados.
Na prática, as abstenções têm o mesmo efeito que um voto contra, uma vez que impedem que seja alcançada a maioria necessária para aprovar a moção. Se for aprovada, a consequência é a demissão do Governo.
Mas o Chega dificilmente conseguirá sozinho os votos necessários. O PS já deixou claro que não pretende contribuir para uma crise política.
“Nós contribuiremos para a estabilidade política do país e não será pelo PS que haverá crise política em Portugal”, afirmou esta quarta-feira o secretário-geral socialista, em Maputo, citado pela Lusa.
Ainda assim, o líder do PS responsabilizou Luís Montenegro pela polémica em torno de Luís Neves, defendendo que o primeiro-ministro “tem de assumir” a responsabilidade política pelo caso.
A votação da moção de censura poderá, assim, transformar-se num novo teste à capacidade de Luís Montenegro para manter o apoio parlamentar e controlar a crise política desencadeada pela situação do ministro da Administração Interna.
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