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Segundo o The Guardian, a crise migratória em Ceuta agravou-se depois de milhares de migrantes terem entrado no território espanhol a partir de Marrocos, o que levou Espanha a mobilizar reforços para a fronteira e provocou reações políticas dentro da União Europeia.
O Ministério do Interior espanhol indicou que mais de 49 mil pessoas terão conseguido entrar em Ceuta nas últimas 24 horas, através de travessias a nado ou a pé. O número supera largamente a crise fronteiriça de 2021, quando cerca de 10 mil pessoas entraram no enclave num contexto de tensão diplomática entre Madrid e Rabat.
A dimensão da vaga é particularmente significativa tendo em conta a população de Ceuta, estimada em cerca de 85 mil habitantes. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, deslocou-se ao território, onde era esperado no posto fronteiriço do Tarajal para acompanhar a situação e prestar declarações aos jornalistas.
Pelo menos 18 pessoas morreram depois de milhares de migrantes terem ultrapassado a fronteira entre Marrocos e Ceuta. Um porta-voz da Guardia Civil, responsável pelo controlo das fronteiras espanholas, afirmou que os migrantes estavam a “entrar massivamente pelo mar” através do quebra-mar do Tarajal, sem indicar inicialmente uma estimativa do número de pessoas envolvidas.
Durante a noite, continuaram a ser registadas novas entradas, com meios de comunicação social espanhóis a noticiarem uma alegada “passividade” das autoridades policiais marroquinas.
Em resposta à situação, o Governo espanhol anunciou o envio de mais militares e agentes policiais para reforçar a segurança da fronteira entre Ceuta e Marrocos.
Reações políticas na Europa
A crise provocou também fortes reações políticas em Espanha. O Partido Popular (PP), principal força da oposição, exigiu uma resposta mais firme do Governo de Pedro Sánchez, considerando insuficientes os reforços anunciados.
O líder do PP, Alberto Núñez Feijóo, afirmou que continuaram a chegar pessoas a Ceuta durante a noite e pediu ao primeiro-ministro espanhol que defendesse “a segurança nacional”, a integridade territorial e a convivência.
O partido de extrema-direita Vox classificou o fluxo migratório como uma “invasão”.
A situação levou igualmente a críticas e pedidos de reforço das fronteiras noutros países europeus. Em França, o ministro do Interior, Laurent Nuñez, anunciou o reforço dos controlos na fronteira franco-espanhola e a ativação de uma força de intervenção fronteiriça para realizar verificações mais aprofundadas.
Também a candidata presidencial francesa Marine Le Pen e o antigo primeiro-ministro Michel Barnier defenderam o reforço dos controlos fronteiriços.
A crise gerou ainda um confronto político entre Espanha e Itália. O Governo italiano pediu que Espanha fosse suspensa do espaço Schengen até recuperar o controlo da fronteira. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, afirmou que a imigração ilegal sem controlo representava uma ameaça concreta para a segurança das fronteiras europeias e admitiu a suspensão do espaço de livre circulação com Espanha.
O ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, Antonio Tajani, apoiou essa posição e relacionou a crise com a recente decisão do Governo espanhol de regularizar mais de 500 mil migrantes sem documentação residentes em Espanha.
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