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Num artigo publicado no Expresso, o ex-Presidente da República começa por escrever que os pedidos da comunicação social e das redes sociais para que o Estado "aumente os salários dos funcionários públicos e o seu número" ," pensões e apoios aos jovens", assim como baixe impostos, devem aparecer juntamente com a questão "sobre como financiar o aumento da despesa do Estado ou a redução das receitas que lhes estão associados".

Cavaco Silva alerta para uma ideia "perigosamente falsa" de que o "dinheiro do Estado cai do céu, ou de que o Estado é um poço sem fundo" clarificando que esse dinheiro "não é mais do que o produto dos impostos que os portugueses pagam".

Coloca a questão de como pode o Estado arrecadar um volume financeiro capaz de satisfazer essas reivindicações sem agravar ou mesmo baixar "a carga fiscal em relação ao PIB?".

Ao longo do texto prossegue com a resposta a essa pergunta, começando com a necessidade de Portugal ter um "crescimento real da economia" na "ordem dos 3-4%" para não continuar a ser no panorama europeu um país "relativamente pobre".

Cavaco Silva aponta para a necessidade de alertar os cidadãos "para a sua importância" nesse processo e para os "fatores" que determinam o "aumento da produtividade, como a inovação, a difusão das competências digitais e tecnológicas, o investimento de qualidade e as exportações de elevado valor acrescentado". Lembra que esse foi um papel seu durante os últimos dez anos, após Portugal sair da bancarrota, e que continua a defender a "reforma da Administração Pública e a redução da burocracia" para o crescimento da economia portuguesa, sublinhando o papel do ministro da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, que tem mostrado "ideias certas" como a carteira digital empresarial.

Tirando o foco do cidadão, que percebe estar "mais preocupado com a sua situação ou da sua empresa", Cavaco aponta o dedo à comunicação social e as redes sociais por não darem mais atenção às políticas de crescimento económico "indispensáveis para melhorar os níveis de bem-estar dos portugueses".

Sem poupar elogios ao "espírito reformista" do governo minoritário de Luís Montenegro, acusa a oposição de "ações de desgaste" que visam "impedir a concretização das reformas". Cavaco fala das chamadas "forças de bloqueio", que explica fazendo um paralelismo com o seu tempo como primeiro-ministro em 1995, mas afirmando que hoje existe uma maior "dificuldade na aprovação das reformas".

"Em 1995, sendo ainda primeiro-ministro, escrevi que a oposição parlamentar tenderá a fazer todo o possível para impedir a aprovação das reformas, ao mesmo tempo que acusa o Executivo de não as fazer, à qual se juntam os interesses e privilégios instalados. São as chamadas “forças de bloqueio”, explica.

PS "carecido de discernimento" e o Chega sem uma "ideologia minimamente coerente"

Cavaco Silva olha ainda para o papel da oposição, que diz duvidar que "faria melhor do que o atual Governo em matéria de políticas e reformas estruturais".

Começa por criticar aquilo que denomina como uma Partido Socialista "carecido de discernimento e enrodilhado em preconceitos ideológicos" e com a "falta de coragem para sequer discutir as mudanças necessárias para que a economia portuguesa se aproxime das mais avançadas da União Europeia.".

Acreditanto que para "benefício da democracia e do país" o PS "acabará por perceber que o quadro de valores e princípios fundamentais permanece inalterado".

Cavaco separa o Chega do PS, mas não deixa de mencionar algumas alianças.

Pinta o retrato do partido de André Ventura, como uma força política sem uma "ideologia minimamente coerente", com uma "impreparação técnica" para falar sobre políticas de progresso para o país e com a "marca distintiva" da "retórica da confrontação" e do "discurso teatral do ódio, do insulto, da calúnia e da mentira". "É uma via que pode atrair atenção popular e até votos, mas que não permite construir uma sociedade onde haja uma sã convivência entre todos e com um crescimento económico saudável", remata.

Ao líder do partido e ex-candidato presidencial, Aníbal Cavaco Silva acusa de "enganar e iludir os portugueses" através de um "gritaria de pretensas "verdades” sobre a situação do país sem referir as políticas concretas que defende ou sugerindo falsas soluções para os problemas". E afirma que qualquer comparação com a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, "é totalmente despropositada".

Cavaco não esqueceu as vezes que André Ventura menciona o fundador do Partido Social Democrata, Francisco Sá Carneiro, e fez questão de frisar que, como ministro das Finanças do ex-primeiro-ministro, está "convencido de que ele lutaria com todas as suas forças contra o discurso e as ideias do líder do Chega".

O texto termina reforçando a ideia de que o "dinheiro do Estado não cai do céu" e que " eleições antecipadas podem mesmo agravar os problemas do país".

"Sem as reformas necessárias ao crescimento robusto da economia há um sério risco de reforço das forças políticas populistas e de deterioração da qualidade da nossa democracia", escreve.

Além do carácter reformista, o ex-primeiro-ministro não deixa de apelar à urgência para que o governo e as forças de apoio atuem "atempadamente", em conversações com a oposição,  de forma a evitar "obstrução parlamentar" num panorama de crescentes conflitos internacionais.

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