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Um grupo de trabalho de troca de mensagens entre agentes da PSP, com cerca de 70 membros, terá sido utilizado durante pelo menos um ano para a partilha de vídeos de detidos, na sua maioria migrantes, alegadamente sujeitos a episódios de tortura, agressões e violação.
O caso levou já à detenção de vários polícias em diferentes fases da investigação. Em julho de 2025 foram detidos dois agentes, em março deste ano outros sete, e esta terça-feira foram detidos mais 15 polícias e um civil. Entre os novos detidos estará Mário Vaz Maia, polícia e irmão do cantor Nininho Vaz Maia, avança o Observador.
Os agentes agora detidos encontram-se nas esquadras do Cometlis, o Comando Metropolitano da PSP de Lisboa, onde deverão permanecer até serem presentes a juiz de instrução para primeiro interrogatório judicial e aplicação de medidas de coação. Este procedimento poderá prolongar-se até ao final da semana, devido ao elevado número de arguidos.
Poucas horas após as detenções, algumas das vítimas estiveram nas instalações policiais e terão conseguido identificar a maioria dos suspeitos, por alegada participação nas situações de violência ou por terem estado presentes a assistir e a gravar as agressões físicas e verbais.
Apesar de a maioria das vítimas ser de origem estrangeira, o Ministério Público não aponta, para já, qualquer motivação racial na origem dos crimes em investigação.
O primeiro alerta para o caso surgiu em julho do ano passado, com a detenção de dois recém-chegados agentes da Polícia de Segurança Pública. Mais tarde, estes acabaram acusados pelo Ministério Público de crimes como tortura, abuso de poder, violação e roubo, alegadamente praticados contra pessoas em situação de vulnerabilidade. Na altura, os procuradores já admitiam que o número de envolvidos poderia aumentar.
Em março deste ano, a investigação conheceu uma nova fase, com a detenção de mais sete agentes, aos quais foram imputados novos factos relacionados com tortura grave e abusos no exercício de funções policiais. Já esta terça-feira, o número de suspeitos mais do que duplicou, com a detenção de mais 15 polícias e um civil.
Segundo os elementos já conhecidos do processo, estão em causa suspeitas da prática de diversos crimes, incluindo tortura grave, violação, abuso de poder e ofensas à integridade física qualificadas.
A investigação refere ainda que vídeos de agressões terão circulado durante meses em grupos de mensagens, onde participavam dezenas de agentes da PSP. Nesses espaços, usados habitualmente para troca de informação operacional entre esquadras, terão sido partilhados conteúdos com imagens de violência contra detidos, posteriormente visualizados por outros elementos da polícia sem que, segundo a investigação, tivessem sido denunciados.
As autoridades continuam a investigar o nível de participação de cada um dos suspeitos, podendo existir tanto envolvimento direto nas agressões como participação por omissão, nomeadamente por conhecimento dos factos sem denúncia hierárquica ou judicial.
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