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No final de uma visita oficial de quatro dias a Caracas, o governante português revelou à Lusa ter encontrado uma forte abertura por parte das autoridades venezuelanas para reforçar a cooperação bilateral, tanto ao nível económico como técnico.

"Fiquei muito surpreendido com as autoridades venezuelanas. Falei com quatro ministros e ministras, com dois ou três vice-ministros e com a presidente em exercício Delcy Rodríguez. Fui recebido por todos com muita simpatia e notei uma verdadeira vontade de que Portugal e as empresas portuguesas participem no esforço da reconstrução e de desenvolvimento económico futuro", afirmou.

Além do envolvimento de empresas portuguesas, Caracas pediu também apoio técnico especializado nas áreas da engenharia sísmica e da avaliação estrutural de edifícios.

Segundo Emídio Sousa, as autoridades venezuelanas pretendem contar com especialistas portugueses para verificar a segurança das construções afetadas pelos sismos e ajudar a formar uma nova geração de engenheiros preparada para responder a futuros riscos sísmicos.

"Portugal tem grandes competências nestas matérias", destacou o secretário de Estado, referindo o conhecimento desenvolvido pelas universidades portuguesas e pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC).

Durante os encontros, o Governo venezuelano voltou ainda a defender o levantamento das sanções internacionais e o desbloqueio de ativos congelados, argumentando que essas medidas dificultam a reconstrução do país. Emídio Sousa explicou que transmitirá essas preocupações ao primeiro-ministro português, recordando, contudo, que qualquer alteração depende de decisões tomadas ao nível da União Europeia.

O governante português considerou que a tragédia pode abrir uma nova fase nas relações económicas entre os dois países, sublinhando que a Venezuela possui potencial muito para além da indústria petrolífera.

"Muitas vezes pensamos na Venezuela apenas em termos de petróleo, mas é um país riquíssimo noutros aspetos", afirmou, apontando recursos agrícolas, pesqueiros, florestais, minerais e um vasto potencial turístico.

Os dois sismos, de magnitude 7,2 e 7,5, ocorreram a 24 de junho, com menos de um minuto de intervalo, a cerca de 200 quilómetros de Caracas, e foram seguidos por centenas de réplicas.

Segundo o mais recente balanço oficial, a catástrofe provocou pelo menos 4118 mortos e 16740 feridos. Entre as vítimas mortais estão 107 portugueses e lusodescendentes, enquanto 57 continuam desaparecidos ou incontactáveis, tornando esta uma das maiores tragédias a atingir a comunidade portuguesa no estrangeiro nas últimas décadas.

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