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Uma investigação da CNN descreve um conjunto de acusações graves contra o congressista democrata Eric Swalwell, atualmente candidato a governador da Califórnia, feitas por quatro mulheres que o conheciam através do seu trabalho político e contactos em redes sociais. As alegações incluem desde envio de mensagens e imagens sexuais não solicitadas até situações de contacto físico não consentido e, no caso mais sério, uma alegação de violação feita por uma antiga funcionária. Swalwell nega todas as acusações e afirma tratar-se de ataques politicamente motivados.´

Associações de apoio especializado à vítima de violência sexual:

Quebrar o Silêncio (apoio para homens e rapazes vítimas de abusos sexuais)
910 846 589
apoio@quebrarosilencio.pt

Associação de Mulheres Contra a Violência - AMCV
213 802 165
ca@amcv.org.pt

Emancipação, Igualdade e Recuperação - EIR UMAR
914 736 078
eir.centro@gmail.com

O caso mais detalhado é o de uma antiga funcionária que começou a trabalhar com Swalwell em 2019, quando tinha cerca de 20 anos. Inicialmente, descreve uma relação típica de trabalho político, em que o congressista a envolvia em tarefas de campanha e trabalho de gabinete, elogiando o seu desempenho e criando uma sensação de proximidade pessoal. Com o tempo, segundo o testemunho, a relação terá mudado para um plano mais informal e pessoal através da aplicação Snapchat, onde afirma que Swalwell começou a enviar mensagens de teor sexual e imagens íntimas, incluindo fotografias do próprio corpo, ao mesmo tempo que lhe pedia fotografias semelhantes. A mulher diz que, apesar de se sentir desconfortável, também se sentia pressionada pelo contexto de poder e pela posição hierárquica dele.

A antiga funcionária relata dois episódios centrais. O primeiro terá ocorrido em 2019, quando após uma noite de consumo exagerado de álcool, terá acordado num quarto de hotel ao lado de Swalwell sem memória do que aconteceu. Diz que só mais tarde começou a suspeitar que terá ocorrido contacto sexual, embora na altura não tivesse compreendido plenamente a situação como agressão sexual.

O segundo episódio, mais grave, terá acontecido em abril de 2024, já depois de ter deixado de trabalhar diretamente no gabinete, mas ainda mantendo contacto ocasional. Nesse contexto, reencontrou-se com Swalwell num evento político em Nova Iorque e acabou por sair com ele para beber um copo. Afirma que consumiu grandes quantidades de álcool, ficou num estado de forte intoxicação e perdeu a memória de parte da noite. Segundo o relato da alegada vítima, quando recuperou flashes de memória, estaria num quarto de hotel com Swalwell, que estaria a ter relações sexuais consigo apesar de ela o empurrar e dizer “não”. Descreve ter acordado no dia seguinte confusa, sem roupa adequada, com sinais físicos de lesões e hemorragias, e em choque emocional.

A mulher afirma ainda que, nesse mesmo dia, Swalwell lhe enviou mensagens a dizer que a noite tinha sido “boa” e a sugerir que deveria lembrar-se do que aconteceu, o que a fez sentir ainda mais pressão e confusão. Diz também que só mais tarde começou a interpretar os acontecimentos como violação, depois de refletir sobre o seu estado de intoxicação e ausência de consentimento real. Relata ainda ter procurado apoio de familiares e amigos logo após o episódio, que confirmaram à CNN terem sido informados na altura.

As outras três mulheres apresentam padrões diferentes, mas com elementos comuns. Uma delas conheceu Swalwell através de contactos em redes sociais ligados à política. Após conversas iniciais aparentemente profissionais, terá sido convidada para encontros presenciais em contexto social. Afirma que, numa dessas ocasiões, começou a beber com ele e acabou extremamente intoxicada. Diz que antes disso já tinha havido contacto físico não consentido num bar, incluindo beijos e toques na perna. Afirma que depois perdeu a memória de parte da noite e acordou num quarto de hotel, sem saber como lá chegou.

Outra mulher, criadora de conteúdos digitais, afirma que começou a falar com Swalwell após contactá-lo sobre política no Twitter. Segundo o relato desta alegada vítima, o político respondeu, manteve conversas frequentes e acabou por migrar a comunicação para mensagens privadas mais pessoais e tarde da noite. Afirma que recebeu fotografias íntimas não solicitadas, incluindo imagens do órgão sexual enviadas via Snapchat, e mensagens sexualmente explícitas. Diz também que, em alguns momentos, lhe ofereceu ajuda profissional e contactos políticos, o que tornava a relação ambígua entre o pessoal e o profissional.

Uma quarta mulher, que trabalhava em marketing, descreve um padrão semelhante de contacto prolongado ao longo de vários anos. Afirma que as mensagens começaram de forma política e informal, mas evoluíram para conteúdo sexual explícito, incluindo pedidos de fotografias em biquíni ou nuas e envio de vídeos íntimos por parte de Swalwell, apesar de não terem chegado a encontrar-se pessoalmente. Segundo o seu testemunho, a relação manteve-se intermitente ao longo do tempo, com contacto iniciado principalmente pelo político.

Em conjunto, as mulheres descrevem um padrão comportamental consistente, Swalwell, uma figura política influente e casada, terá procurado contacto com mulheres mais jovens interessadas em política ou em início de carreira, criando inicialmente uma relação de proximidade, validação e acesso político, que depois evoluiria para mensagens sexualizadas e, em alguns casos, encontros presenciais em que o álcool desempenhava um papel central. Algumas das mulheres afirmam que o contexto de poder, a diferença de estatuto e a possibilidade de oportunidades profissionais contribuíram para que mantivessem contacto apesar de se sentirem desconfortáveis.

A CNN refere que analisou mensagens, capturas de ecrã, registos de chamadas e documentação médica, bem como entrevistas com amigos e familiares que dizem ter sido informados das alegações na altura em que os acontecimentos ocorreram. Em alguns casos, esses terceiros confirmam ter recebido relatos imediatos de agressão sexual ou comportamentos inapropriados. Há também referência a registos de consultas médicas realizadas por uma das mulheres após o alegado incidente mais grave.

Swalwell nega categoricamente todas as acusações, incluindo a alegação de violação, e afirma que são falsas e surgem num contexto eleitoral. A equipa legal do candidato enviou cartas a algumas das mulheres exigindo retratações e ameaçando ação judicial, alegando que as versões apresentadas são incompatíveis com o facto de algumas dessas mulheres terem mantido contacto cordial com ele posteriormente, incluindo pedidos de referências profissionais. A campanha também defende que não existem denúncias formais anteriores nem acordos de confidencialidade ligados a estas situações.

Em consequência, vários dos seus principais apoios dentro do Partido Democrata retiraram o apoio e pediram publicamente que abandone a corrida eleitoral.

Figuras de topo do partido, como a antiga presidente da Câmara dos Representantes Nancy Pelosi e o líder da minoria democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, terão aconselhado ou exigido a sua saída da campanha. Também aliados influentes como o senador Adam Schiff e o senador Ruben Gallego retiraram o apoio, com Gallego a admitir que se enganou ao defendê-lo inicialmente. Outros membros da equipa de campanha, incluindo co-presidentes e assessores, demitiram-se, e vários colaboradores abandonaram o projeto à medida que as acusações ganharam força.

Paralelamente, uma organização independente de apoio à sua candidatura suspendeu atividades e a principal plataforma de angariação de fundos usada por campanhas democratas deixou de aceitar donativos para a sua candidatura, o que indica um bloqueio financeiro significativo. Vários dos seus rivais na corrida para governador também passaram a exigir a sua retirada imediata.

Swalwell publicou um vídeo a rejeitar todas as acusações, classificando-as como falsas e dizendo que pretende concentrar-se na família. Admitiu erros de julgamento no passado, mas não abordou diretamente a continuidade da sua candidatura.

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