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A Campus.ly nasceu precisamente para responder a esse momento de pressão e indecisão. Criada por Samuel Anjos, a plataforma procura resolver dois problemas centrais: a fragmentação da informação e a falta de personalização na orientação vocacional. Na prática, muitos estudantes acabam por decidir com base em fontes dispersas, sem uma visão integrada do seu perfil e das opções disponíveis.
- Nota sobre o nome: Existe uma aplicação na App Store com um nome semelhante. Na altura em que o projeto foi desenvolvido, esse nome não estava registado, mas entretanto surgiu uma app chinesa com um nome parecido, focada em conteúdos educativos.
Grande parte do projeto foi desenvolvida nos tempos livres enquanto estudava na Gestão de Marketing na Universidade da Maia. Teve início numa unidade curricular da licenciatura, sem que existisse, nessa fase, a expectativa de vir a gerar tanto interesse. Ao longo do tempo, o percurso foi marcado por avanços e recuos. Foi já durante o mestrado em Transformação Digital que a Campus.ly ganhou maior tração, através da participação em competições, da recolha de feedback externo e de sucessivos processos de redesign e maturação do conceito.
Como é que ajuda estudantes?
A plataforma centraliza informação relevante e cruza-a com dados individuais dos estudantes, como o desempenho académico e os seus interesses, permitindo gerar recomendações mais ajustadas a cada perfil. Paralelamente, foi também pensada como complemento ao trabalho de psicólogos e orientadores vocacionais, e não como substituto.
- Como funciona? A Campus.ly assenta numa lógica de recomendação que combina regras estruturadas com modelos de correspondência entre o perfil do estudante e as características dos cursos e instituições. Entre os critérios considerados estão exames exigidos, médias de acesso, áreas de interesse e outros fatores relevantes.
Embora o sistema atual assente sobretudo em modelos determinísticos e de scoring, existem componentes de análise de dados que permitem melhorar progressivamente as recomendações. A integração de técnicas mais avançadas de inteligência artificial está prevista como evolução futura, à medida que se tiver mais feedback dos utilizadores, explica Samuel Anjos, fundador da Campus.ly
- O feedback: Um dos principais insights recolhidos foi a falta de clareza dos alunos sobre as opções disponíveis e sobre o impacto real das suas escolhas. Por outro lado, a simplicidade e clareza na apresentação da informação foram particularmente valorizadas.
“Para além disso, procurámos ouvir atentamente as principais dificuldades e necessidades dos alunos, de forma a identificar as suas ‘dores’ ao longo do processo de decisão. Esse feedback foi essencial para a criação e ajuste de novos filtros e funcionalidades, tornando a plataforma mais alinhada com as suas reais necessidades”, conta-nos Samuel.
A ferramenta que apoia, mas não decide: Esta ferramenta pode desempenhar um papel relevante na redução da incerteza, ao organizar informação e apresentar opções de forma clara e personalizada. Ainda assim, não substitui o acompanhamento humano. A decisão final envolve fatores pessoais, emocionais e contextuais que vão além do que qualquer sistema consegue captar. Nesse sentido, como sublinha o fundador, deve ser encarada como uma ferramenta de apoio à decisão, e não como um mecanismo determinístico.
- O modelo de negócio: A ideia é manter o acesso gratuito para os estudantes, partindo do princípio de que o acesso à informação deve ser democratizado. Para garantir a sustentabilidade do projeto, o modelo deverá assentar em soluções complementares, como publicidade segmentada e parcerias com instituições de ensino ou outras entidades.
Uma equipa internacional: Com a ideia já consolidada, a Campus.ly integrou o programa Blended4Future, onde foi formada uma equipa com estudantes de licenciatura de diferentes universidades europeias, com backgrounds diversos. Estes elementos passaram a assumir funções específicas dentro de um modelo estruturado, que procura também proporcionar uma experiência de aprendizagem relevante, ainda que isso implique um ritmo de desenvolvimento mais gradual.
Conciliar projeto, investigação e ensino
Atualmente, o doutorando em Informática na UMinho é a principal prioridade de Samuel, ao lado da função de professor convidado e do trabalho de investigação académica que desenvolve. Neste contexto, a dedicação à Campus.ly incide sobretudo na gestão e acompanhamento do projeto, maioritariamente durante fins de semana e tempos livres.
“Não é um processo simples, especialmente ao nível da conciliação de responsabilidades académicas, profissionais e do próprio desenvolvimento do projeto. Ainda assim, de forma progressiva e consistente, temos conseguido evoluir. A nossa intenção mantém-se clara: contribuir, da melhor forma possível, para apoiar os alunos num momento tão importante do seu percurso académico”, explica o estudante da Universidade do Minho.
O que esperar do lançamento em junho?
“O foco principal será consolidar a presença em Portugal, garantindo uma base sólida de utilizadores e recolhendo feedback em contexto real. Temos verificado um interesse superior ao que inicialmente antecipávamos, o que nos levou a acelerar o desenvolvimento desta primeira versão”, garante Samuel Anjos.
Paralelamente, a equipa já está a trabalhar em evoluções futuras, prevendo o lançamento de uma segunda versão pouco tempo após a inicial, com novas funcionalidades e melhorias baseadas no feedback dos utilizadores.
- O foco na primeira fase: público nacional, em particular nos estudantes em Portugal. A internacionalização é uma possibilidade a médio prazo, mas, para já, a prioridade é garantir uma primeira etapa sólida. A aposta passa por crescer de forma sustentada, assegurando qualidade e relevância especialmente tendo em conta a complexidade do problema que a plataforma procura resolver.
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