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Segundo a estatística partilhada pelo jornal Publico, esta disparidade entre homens e mulheres tem, de acordo o investigador Jorge Malheiros, do Instituto de Geografia e Ordenamento do Território da Universidade de Lisboa, várias explicações que se cruzam. Por um lado, há hoje mais casais que se separam em idades avançadas, aos 50 e 60 anos, e as mulheres tendem a não reconstituir uma nova família nem a arranjar um parceiro permanente depois dessas rupturas, ao contrário do que acontece mais frequentemente com os homens.

Por outro lado, o investigador nota que, historicamente, as mulheres ocupam uma posição de desvantagem no espaço doméstico, sendo mais sobrecarregadas com tarefas do lar, apesar de hoje existir maior igualdade entre géneros. Assim, quando uma mulher enfrenta uma ruptura conjugal tardia, seja por separação seja por viuvez, tende a sentir uma nova liberdade: liberta-se do peso das tarefas domésticas que tinha a seu cargo e ganha mais autonomia de decisão, escapando também aos mecanismos de controlo, mais ou menos subtis, que muitas vezes estão associados à relação com o parceiro e com a família deste.

Há ainda um factor demográfico simples a explicar parte da diferença: as mulheres vivem, em média, mais anos do que os homens, pelo que há efectivamente menos homens vivos nas idades mais avançadas. Em números concretos, a esperança média de vida à nascença em Portugal é de 82,5 anos no total, mas divide-se em 79,7 anos para os homens e 85,2 anos para as mulheres, uma diferença de mais de cinco anos que ajuda a explicar por que há mais viúvas do que viúvos, e por isso mais mulheres a viverem sozinhas nas idades mais avançadas.

Este fenómeno de viver sozinho não se limita, porém, à população idosa: é uma tendência que tem crescido de forma transversal na sociedade portuguesa. Entre 2015 e 2025, o número de pessoas a viver sozinhas em Portugal aumentou 33%, atingindo actualmente cerca de 1,18 milhões de pessoas, mais 293 mil do que há uma década, segundo dados da Pordata. Este crescimento das pessoas a viver sós contribuiu, por sua vez, para um aumento global do número de agregados familiares no país: em 2025 havia 4,6 milhões de famílias, mais 11,6% do que em 2015.

Ao mesmo tempo, e como reflexo de outras mudanças sociais e demográficas (como a quebra da natalidade e o envelhecimento da população), a proporção de famílias com crianças tem vindo a diminuir. Actualmente, apenas 25,1% dos agregados familiares portugueses têm crianças, uma quebra de 5,7 pontos percentuais face a 2015.

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