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De acordo com o relatório do Laboratório Português de Ambientes de Trabalho Saudáveis (Labpabs), que analisou respostas de 5.549 profissionais de vários setores, 38,3% dos inquiridos dizem ser vítimas de assédio laboral. O valor representa um aumento contínuo nos últimos anos: 16,5% em 2021/22, 20% em 2023 e 27,7% em 2024.

Em declarações à Lusa, citadas pelo Observador, a psicóloga Tânia Gaspar, coordenadora do estudo, considera que o fenómeno é um “sinal de alerta” e sublinha que as empresas estão a “desinvestir na questão da saúde mental”. Segundo a especialista, “as pessoas têm este tema mais em cima da mesa (...) e acabam por rejeitar coisas que antes aceitavam”.

O relatório destaca ainda níveis elevados de exaustão, burnout e solidão, que afetam uma parte significativa dos trabalhadores e que, segundo os peritos, não podem ser vistos apenas como problemas individuais, mas sim como um reflexo de fragilidades organizacionais.

Este conjunto de indicadores é descrito como um “sinal de vulnerabilidade” das organizações, com impacto direto na saúde dos trabalhadores, no compromisso com o trabalho e na sustentabilidade das instituições.

Os dados mostram também que 77,4% dos profissionais consideram não ter uma remuneração justa face às funções desempenhadas, evidenciando um “descompasso” entre exigência, reconhecimento e recompensa.

Para Tânia Gaspar, é necessária uma reorganização do trabalho, com especial foco nas lideranças. “As lideranças estão na geração X [entre os 45 e os 60 anos], que é aquela em que o trabalho ainda era ‘um ponto de honra’”, afirmou, acrescentando que esse modelo está a ser “importado para as novas gerações, que têm outras prioridades”.

A sobrecarga laboral continua a ser apontada como um problema relevante, com os especialistas a defenderem mais recursos humanos e uma distribuição mais equilibrada das tarefas. “O respeito pelas pausas, descanso e recuperação dos trabalhadores é essencial para prevenir fadiga, desgaste físico e emocional”, refere o estudo.

O relatório identifica ainda grupos mais vulneráveis, incluindo mulheres, trabalhadores mais jovens, pessoas com doença crónica e profissionais que já apresentam sinais de burnout, solidão ou vivência de assédio laboral.

Apesar das fragilidades identificadas, o estudo aponta também fatores de proteção, como o trabalho em regime híbrido, associado a melhores indicadores de bem-estar. Em sentido inverso, o trabalho exclusivamente presencial surge ligado a piores resultados.

Tânia Gaspar alerta, contudo, para o regresso de algumas empresas ao modelo totalmente presencial, apesar das vantagens do híbrido já identificadas.

As gerações mais jovens (Z e Y, até aos 45 anos) são as que apresentam menor envolvimento e maior risco de problemas de saúde mental e solidão, enquanto os ‘babyboomers’ surgem como o grupo com melhores indicadores de bem-estar e felicidade no trabalho.

O relatório conclui ainda que menos de metade dos profissionais sente que a organização está centrada no bem-estar dos trabalhadores e apenas cerca de um terço considera que a liderança o trata como prioridade. Segundo os autores, o mal-estar laboral resulta não apenas da carga de trabalho, mas também de défices de confiança, reconhecimento e participação nas decisões.

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