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Segundo o The Guardian, antigos responsáveis europeus ligados às negociações do Brexit consideram que o Reino Unido não poderia voltar a integrar a União Europeia com os privilégios de que beneficiou durante décadas enquanto Estado-membro.

As declarações surgem numa altura em que figuras seniores do Partido Trabalhista britânico voltaram a falar abertamente sobre a possibilidade de o país regressar à União Europeia no futuro. Georg Riekeles, antigo conselheiro da equipa europeia para o Brexit, afirmou esperar uma posição “muito calorosa e acolhedora” dos Estados-membros perante uma eventual candidatura britânica, mas também uma abordagem “pragmática e firme”.

“O preço do regresso seria uma adesão em termos normais”, afirmou, defendendo que não existiria vontade política para retomar “décadas de excecionalismo britânico”.

Durante os 47 anos em que integrou a União Europeia, o Reino Unido conseguiu um estatuto considerado único dentro do bloco europeu, com exclusões de políticas centrais como a moeda única e o espaço Schengen, além de um mecanismo de desconto nas contribuições para o orçamento comunitário.

Também Sandro Gozi, antigo ministro dos Assuntos Europeus de Itália e atual eurodeputado, afirmou que qualquer processo de regresso começaria pelas regras aplicáveis a todos os candidatos. Segundo o responsável, “o fato feito à medida desapareceu”, numa referência às condições especiais anteriormente atribuídas ao Reino Unido.

Gozi considerou ainda que os países da União Europeia receberiam favoravelmente uma eventual candidatura britânica, apesar da incerteza política causada pela possibilidade de uma futura liderança de Nigel Farage.

O debate reacendeu-se depois de Wes Streeting defender publicamente, no fim de semana, que o Reino Unido deveria voltar à União Europeia no futuro. Apesar de aliados do antigo ministro da Saúde afirmarem que tal só poderia avançar através de eleições ou de um referendo, as declarações voltaram a expor divisões internas entre os trabalhistas sobre a relação com Bruxelas.

Andy Burnham, presidente da câmara da Grande Manchester e potencial candidato ao regresso ao parlamento britânico, já tinha dito anteriormente que gostaria de ver o Reino Unido regressar à União Europeia durante a sua vida, embora tenha esclarecido esta segunda-feira que não avançaria com essa prioridade no curto prazo caso chegasse ao cargo de primeiro-ministro.

Para Sandro Gozi, o Brexit representou “um grande desastre” para o Reino Unido, mas também uma perda para a própria União Europeia. Ainda assim, sublinhou que existem alternativas intermédias entre a adesão plena e o afastamento total, como uma associação ao mercado único europeu ou a participação num futuro conselho europeu de segurança.

Também o ministro dos Negócios Estrangeiros da Polónia, Radosław Sikorski, alertou recentemente que Londres não deveria esperar recuperar o modelo de adesão “à la carte” de que beneficiava anteriormente.

Georg Riekeles acrescentou que Bruxelas e várias capitais europeias encaram positivamente os sinais vindos do Reino Unido, mas considerou que ainda está longe de existir um consenso nacional britânico suficientemente sólido para iniciar um processo formal de regresso.

Já a porta-voz principal da Comissão Europeia, Paula Pinho, recusou comentar possíveis termos de negociação sobre um eventual regresso britânico, limitando-se a referir que decorrem discussões sobre maior cooperação entre ambas as partes antes da próxima cimeira UE-Reino Unido, prevista para julho.

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