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A suspensão põe em causa o ritmo da campanha de vacinação em massa que começou no início deste ano com profissionais de saúde e moradores de alguns municípios do Brasil.

A Folha de São Paulo, que cita dados divulgados pelo Ministério da Saúde brasileiro, diz que foram administradas mais de 500 mil doses desta vacina até 30 de maio. Destas pessoas, 3.703 desenvolveram sintomas adversos, entre os quais 42 apresentaram sinais de alarme por sentirem dores abdominais intensas, vómitos persistentes e sangramentos. Estes sintomas, que são compatíveis com a dengue em estado grave, não foram detetados durante os ensaios clínicos.

O Ministério da Saúde reforça que os casos de sintomas adversos são raros e que representam apenas 0,008% das doses aplicadas. Além disto, garante que ainda não se pode estabelecer uma ligação entre a administração da vacina e as duas mortes e que é necessário aguardar pelos resultados da investigação em curso.

Também Luís Varandas, professor do Instituto de Higiene e Medicina Tropical, em Portugal,  destaca a necessidade de se aguardar pelos resultados das investigações. “Não foi ainda estabelecida uma relação directa entre a vacina e as mortes, mas foi essa possibilidade que levou as autoridades a suspender a vacina enquanto realizam mais investigações”.

O médico, que reforça que esta vacina não é comercializada em Portugal, assegura que a esta suspensão mostra que “as autoridades estão atentas e vigilantes”. Por isso, garante que agora “o mais importante é manter a confiança nas indicações das autoridades enquanto toda a situação é esclarecida".

A vacina Butantan-DV, que é a primeira do mundo a ser aplicada numa dose única e a primeira totalmente brasileira, representa a principal aposta do Sistema Único de Saúde (SUS) para proteger a população brasileira. Além das vacinas já administradas, está prevista a entrega de cerca de 3,9 milhões de doses até ao final de 2027, mas há a possibilidade de se aumentar este número para 60 milhões.

Segundo dados divulgados pela Globo, o processo de vacinação em massa começou no início do ano, com foco nos profissionais de saúde, que receberam 417 mil doses. Foram vacinadas depois 83,6 mil pessoas que vivem em Botucatu, em São Paulo, Maranguape, no estado do Ceará, e em Nova Lima, em Minas Gerais. De acordo com o Ministério da Saúde, nenhum morador está entre os casos de reações adversas.

Eder Gatti, diretor do Programa Nacional de Imunizações, afirmou não ter dúvidas sobre a eficácia da vacina e garantiu que a vacinação só foi suspensa por precaução.

Também o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou a confiança na vacina e no Instituto Butantan. Alexandre Padilha acrescentou que “o tempo é necessário para que se conclua a investigação” e que não há um prazo para o fim deste processo.

A vacina Butantan-DV foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária em novembro de 2025 e, no mês seguinte, o Ministério da Saúde comprou 3,9 milhões de doses.

Com esta suspensão, o SUS [o equivalente ao Sistema Nacional de Saúde de Portugal] passa a ter disponível apenas a vacina Qdenga para a imunização contra a dengue. Em 2024, foram adquiridas cerca de 10 milhões de doses à japonesa Takeda e o ministro Alexandre Padilha já garantiu que serão entregues mais nove milhões até ao final do ano e em 2027.

A imunização contra a dengue tem sido uma prioridade no SUS desde 2024, altura em que houve um surto e morreram 6.321 pessoas. Este ano, esta doença já provocou 177 mortes no Brasil.

O surto de dengue de 2024 representou uma crise para o Presidente Lula da Silva. Nessa altura, a então ministra da Saúde Nísia Trindade anunciou que a vacinação poderia vir a tornar-se na principal estratégia de combate à doença em 2026, em função do desenvolvimento da vacina do Butantan. Esta vacina, que pode ser administrada em pessoas entre os 12 e os 59 anos, tem tido a preferência das autoridades por ser de toma única.

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