Billie Jean King concluiu a licenciatura em História aos 82 anos, mais de seis décadas depois de ter interrompido os estudos para se dedicar ao ténis profissional.

O The Guardian conta que a antiga tenista abandonou a universidade em 1964 com um objetivo definido: apostar na carreira desportiva. Nos anos seguintes tornou-se a número um mundial e construiu um percurso marcado por 39 títulos, pela conquista da Medalha Presidencial da Liberdade e da Medalha de Honra do Congresso norte-americano, ao mesmo tempo que defendia publicamente a igualdade salarial e de género.

No ano passado, King regressou à California State University, Los Angeles, anteriormente conhecida como Los Angeles State College, para concluir o curso iniciado há 61 anos. A cerimónia de graduação decorreu na segunda-feira.

“É um privilégio estar aqui como membro da vossa turma de finalistas. Sim, apenas 61 anos [depois]!”, afirmou durante o discurso de graduação.

King recordou ainda a infância numa família trabalhadora, sendo filha de um bombeiro e de uma dona de casa. Disse também ser a primeira pessoa da família mais próxima a concluir um curso universitário.

A antiga atleta explicou que escolheu aquela universidade devido ao treinador de ténis Scotty Deeds, que defendia treinos conjuntos entre homens e mulheres, algo que considerava essencial para elevar o nível competitivo das atletas femininas. Segundo King, essa abordagem era revolucionária na época e continua pouco comum no desporto universitário.

Enquanto estudava, destacou-se igualmente no ténis universitário e venceu o torneio de pares de Wimbledon ao lado de Karen Hantze. Tinham então 18 e 17 anos, respetivamente, tornando-se na altura a dupla mais jovem a conquistar o título.

No discurso, King afirmou que a principal motivação da sua vida sempre foi combater a discriminação. Disse que tomou consciência dessa realidade aos 12 anos, ao reparar que os clubes de ténis onde treinava eram frequentados quase exclusivamente por pessoas brancas.

“Perguntei a mim própria: onde está toda a gente?”, recordou. “A partir desse dia, comprometi-me a dedicar a minha vida à igualdade e inclusão para todos.”

No final do discurso, deixou uma última mensagem aos restantes diplomados: “Divirtam-se. Não tenham medo. E façam história.”

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