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Bill Gates explica que teve apenas duas carreiras: primeiro, na Microsoft, onde trabalhou no desenvolvimento de software com o objetivo de dar mais poder e capacidade às pessoas; depois, através da sua atividade filantrópica, dedicando a sua riqueza a melhorar a saúde, a educação e a igualdade no mundo.
Segundo o próprio, estas experiências influenciam a sua visão sobre a IA. Desde jovem que Bill Gates ficou fascinado com a possibilidade de criar computadores capazes de realizar tarefas que antes só os seres humanos conseguiam fazer. Assim, considera que a IA atingiu agora um nível extraordinário de capacidade e continua a evoluir a uma velocidade impressionante, podendo substituir e até superar algumas capacidades cognitivas humanas.
O principal desafio, segundo Gates, é garantir que a IA contribui para uma sociedade mais justa e igualitária, em vez de aumentar as desigualdades. A IA pode tornar-se um grande instrumento de igualdade, mas também pode ser uma enorme fonte de injustiça, sobretudo para pessoas que perderem o emprego ou sentirem que deixaram de ter controlo sobre o seu futuro.
Gates considera que preparar a sociedade para estas mudanças deveria ser uma das maiores prioridades do mundo. Se forem tomadas as decisões certas, a IA poderá ser uma força positiva e melhorar a vida de todos.
No entanto, alerta que não estamos suficientemente preparados. Governos, especialistas e comunidades ainda não estão a enfrentar adequadamente os riscos e desafios desta nova era, faltando um plano claro para facilitar a transição.
Por isso, Bill Gates defende a necessidade de criar estratégias que maximizem os benefícios da IA e reduzam os seus efeitos negativos, garantindo que o progresso tecnológico beneficia toda a sociedade.
A newsletter surge na mesma semana em que o fundador da Microsoft escreveu um memorando onde alerta para os perigos da IA e a forma de os reverter.
Bill Gates considera que o mundo está a entrar numa nova era marcada pela inteligência artificial (IA), que poderá provocar mudanças profundas na sociedade. Embora reconheça que a IA pode trazer grandes benefícios, alerta para os riscos associados à sua rápida evolução e defende que o mundo deve começar desde já a preparar-se para esta transformação.
Um dos principais riscos é a perda de empregos, uma vez que a IA e os robots poderão substituir trabalhadores em várias áreas, tanto em profissões qualificadas como em trabalhos manuais. Esta mudança poderá acontecer rapidamente, deixando muitas pessoas sem emprego e obrigando-as a adquirir novas competências.
Outro risco é o aumento da capacidade de causar danos, já que a IA poderá facilitar fraudes, desinformação, ciberataques, vigilância e outras actividades perigosas. Gates também demonstra preocupação com o impacto da IA nas crianças e nos jovens, sobretudo devido à possibilidade de os companheiros virtuais substituírem relações humanas e prejudicarem o desenvolvimento das competências sociais e do pensamento crítico.
Apesar destes perigos, Bill Gates acredita que a IA poderá trazer benefícios muito significativos. Poderá acelerar a investigação científica, contribuir para o desenvolvimento de medicamentos e vacinas, melhorar os cuidados de saúde, apoiar agricultores em países de baixos rendimentos, facilitar o acesso aos serviços públicos e tornar a educação mais personalizada.
A IA poderá ainda ajudar pessoas com deficiência, pequenas empresas e trabalhadores a realizar tarefas que actualmente exigem muitos recursos. No entanto, estes benefícios não serão garantidos automaticamente e será necessário assegurar que chegam a toda a população e não apenas às pessoas mais ricas. Para isso, Bill Gates defende a criação de novas regras e instituições nacionais e internacionais capazes de acompanhar o desenvolvimento da IA e proteger a sociedade. Propõe também que determinadas funções sejam reservadas aos seres humanos, especialmente aquelas em que o contacto humano é essencial, e considera a possibilidade de criar impostos sobre robots e IA para financiar a formação profissional e apoiar as pessoas afectadas pelo desemprego.
A IA pode melhorar significativamente a vida das pessoas, mas é necessário agir antecipadamente, através de uma resposta global e coordenada, para reduzir os seus riscos e garantir que os seus benefícios sejam partilhados de forma justa.
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