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Begoña Gómez, mulher do presidente do Governo espanhol Pedro Sánchez, foi pronunciada por quatro crimes — desvio de fundos, tráfico de influências, corrupção nos negócios e apropriação indevida de marca —, após dois anos de uma instrução polémica conduzida pelo juiz Juan Carlos Peinado, do tribunal de instrução número 41 de Madrid.
Segundo o despacho, com data de 11 de abril, o magistrado deu por concluída a fase de investigação e enviou o processo a julgamento, deixando de fora um quinto crime que tinha sido investigado, o de intrusismo profissional (O Código Penal considera crime o exercício ilegal de profissão, ou seja, "exercer atividades próprias de uma profissão sem possuir formação nem qualificação para tal"). Na mesma decisão, foram igualmente pronunciados a assessora na Moncloa Cristina Álvarez e o empresário Juan Carlos Barrabés, revela o El País.
Para o juiz Peinado, Begoña Gómez ter-se-á servido da sua relação com o chefe do Governo para exercer pressão sobre autoridades e funcionários públicos e promover a carreira profissional, nomeadamente através de uma cadeira que co-dirigia na Universidade Complutense de Madrid. As partes têm agora cinco dias para apresentar alegações.
O caso teve origem em abril de 2024, a partir de uma queixa apresentada pela associação Manos Limpias e foi sendo alargado com novas ações judiciais movidas por Hazte Oír e pelo partido Vox.
A instrução centrou-se em dois eixos principais. Por um lado, a atividade profissional de Begoña Gómez junto de empresários e a relação laboral com a Universidade Complutense. Por outro, a tentativa de apurar se houve um eventual desvio de dinheiro público ao contratar Cristina Álvarez como assessora, a qual terá acabado por colaborar com a atividade privada desta em vez de cumprir funções institucionais.
O auto de pronúncia tem 39 páginas e reproduz os argumentos expostos numa audiência realizada a 1 de Abril, detalhando os indícios que, na perspetiva do juiz, sustentam os quatro crimes atribuídos a Begoña Gómez. Juan Carlos Peinado recorda igualmente que a Audiência Provincial de Madrid já confirmou a imputação.
A defesa de Gómez e a Fiscalía têm insistido que os factos não têm relevância penal e que o processo deve ser arquivado. Se vier a ser julgado, o caso será apreciado por um júri popular constituído por cidadãos sem formação jurídica.
Contudo, o mesmo tribunal superior corrigiu em várias ocasiões o rumo da instrução, designadamente quando o magistrado tentou alargar as investigações a uma alegada ligação entre Gómez e o resgate estatal à companhia aérea Air Europa.
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