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O país já era um dos maiores utilizadores de energia solar em telhados, com painéis instalados em mais de um terço das casas, mas o grande salto recente tem sido a adoção de baterias domésticas, que permitem guardar a energia solar produzida durante o dia para ser usada à noite. Só no último ano financeiro, a Austrália concentrou cerca de 60% da capacidade mundial de baterias domésticas instaladas, com centenas de milhares de novas ligações, de acordo com o The Guardian.
Esta expansão está a mudar a forma como funciona a rede elétrica. Antes, o consumo noturno obrigava ao uso de centrais a gás, mais caras, para responder ao pico de procura. Agora, as baterias estão a substituir esse papel, reduzindo a necessidade de gás e ajudando a baixar os preços da eletricidade. Em alguns períodos recentes, a produção de gás caiu mais de 20% face ao ano anterior.
O crescimento foi impulsionado por políticas públicas, incluindo um programa de subsídios do governo australiano que reduz em cerca de 30% o custo inicial das baterias. O apoio levou a uma procura muito superior ao esperado, com milhares de instalações por dia. O objetivo foi entretanto revisto e alargado para milhões de baterias instaladas até ao final da década.
Especialistas dizem ao jornal britânico que a combinação de solar mais baterias está a resolver um dos principais problemas das renováveis, a intermitência, permitindo armazenar energia e utilizá-la quando há maior procura. Em alguns mercados, isto já está a alterar padrões de consumo, com mais energia disponível ao final do dia do que ao meio-dia.
O impacto também se sente na rede elétrica: a eletricidade está a tornar-se mais barata e menos dependente de combustíveis fósseis, embora o país continue a ser um grande exportador de carvão e gás e ainda enfrente dificuldades na expansão de grandes projetos renováveis.
Apesar dos progressos, há críticas de que o sistema pode estar a beneficiar mais famílias com capacidade financeira para instalar baterias, deixando inquilinos e agregados mais pobres para trás.
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