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O Papa Leão XIV afirmou esta quarta-feira, em Barcelona, que “não podemos acreditar em Jesus e promover a guerra”, durante a missa celebrada na Basílica da Sagrada Família, onde inaugurou a Torre de Jesus Cristo e assinalou o centenário da morte do arquiteto Antoni Gaudí.
O Pontífice presidiu à celebração na emblemática basílica catalã, cuja construção teve início em 1882 e que se tornou um dos principais símbolos da cidade de Barcelona. Na homilia, Leão XIV descreveu o templo como uma obra que continua em construção e que espelha a própria vida cristã.
“A vida cristã é sempre um caminho”, afirmou o Papa, sublinhando que os fiéis são “pedras vivas” de uma obra que tem Cristo como fundamento. Para o Santo Padre, a imperfeição de uma construção ainda inacabada não representa uma falha, mas antes uma promessa e um compromisso assumido por todos os que colaboram no projeto de Deus.
Ao refletir sobre a presença de Cristo perante o sofrimento humano, Leão XIV deixou aquela que está a ser considerada uma das mensagens mais marcantes da viagem. “Não podemos acreditar em Jesus e promover a guerra. Não podemos acreditar em Jesus e matar o inocente. Não podemos acreditar em Jesus e abandonar quem sofre, quem chora, quem foge da miséria”, declarou.
Durante a homilia, Leão XIV evocou também a figura de Antoni Gaudí, que classificou como um “arquiteto ardente de fé”. Segundo o Papa, o criador da Sagrada Família concebeu os espaços do templo com o propósito de narrar os mistérios da vida de Jesus e proporcionar uma verdadeira peregrinação espiritual aos visitantes.
O Pontífice agradeceu a todos os que contribuíram para a construção da basílica ao longo das décadas, descrevendo-a como uma “catequese eloquente feita de pedras, cores e luz”. Numa época dominada pela imagem, acrescentou, a arte e a beleza continuam a ser instrumentos privilegiados de evangelização.
Leão XIV encontrou-se com associações caritativas e de assistência da arquidiocese de Barcelona, na Igreja de Santo Agostinho. Durante o encontro, respondeu às perguntas de Renzo, uma criança de seis anos, abordando temas como a vocação, o futebol, o sofrimento, a solidão dos idosos e o perdão.
Ao recordar a infância, o Papa revelou que nunca pensou vir a ser Papa. Explicou que foi descobrindo gradualmente o chamamento de Deus para o sacerdócio e incentivou as crianças a procurarem, antes de tudo, ser amigas de Jesus.
Questionado sobre futebol, recordou a sua paixão pelo desporto e aproveitou para destacar a importância do trabalho em equipa. “Quem pensa que pode ser uma estrela, mas nunca passa a bola, deixando os outros fora do jogo, provavelmente vai perder”, afirmou.
Leão XIV falou ainda da necessidade de cuidar dos idosos e alertou para o risco de a solidão e o abandono se tornarem realidades normalizadas. Sobre o perdão, explicou que não significa justificar o mal, mas impedir que o ódio domine o coração.
Na mesma intervenção, o Papa destacou a caridade como uma característica essencial da vida cristã e apelou às comunidades para que se aproximem das necessidades dos mais vulneráveis, especialmente num tempo em que, segundo afirmou, parece estar a perder-se o sentido da dignidade sagrada da pessoa humana.
A agenda em Barcelona incluiu também uma visita ao Centro Prisional Brians 1, onde Leão XIV se encontrou com reclusos, funcionários e voluntários da pastoral penitenciária. Na saudação dirigida aos detidos, insistiu que nenhuma pessoa perde a sua dignidade perante Deus e encorajou-os a não permitirem que os erros do passado definam o seu futuro.
“O passado não precisa de ser uma sentença definitiva”, afirmou, defendendo que cada pessoa pode recomeçar e reconstruir a sua vida. O Papa convidou ainda os reclusos a continuarem a “sonhar o sonho de Deus”, recordando que o amor divino permanece presente mesmo nas situações mais difíceis.
Antes da visita à prisão, Leão XIV esteve na Abadia de Nossa Senhora de Montserrat, onde presidiu à oração do terço diante da imagem da Virgem de Montserrat. Na ocasião, apelou à reconciliação e à paz, pedindo aos fiéis que renunciem às palavras ofensivas, às calúnias e às atitudes que alimentam divisões.
O Papa exortou os presentes a abandonarem as “armaduras” que endurecem o coração e a deixarem que o amor substitua o ódio. “Que o ódio dê lugar à esperança e à paz”, pediu, confiando à Virgem de Montserrat a missão da Igreja e o futuro da humanidade.
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