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Lançada em maio de 2022, a música passou a constar das recomendações da principal organização mundial dedicada à saúde cardiovascular devido ao seu ritmo de 107 batidas por minuto, um valor que se enquadra na cadência ideal para as compressões torácicas durante uma reanimação, situada entre as 100 e as 120 compressões por minuto.
Segundo a AHA, citada pela Medscape, acompanhar o ritmo de uma música com esta cadência pode ajudar a manter a frequência correta das compressões, contribuindo para assegurar a circulação de sangue para o cérebro até à chegada de assistência médica.
Durante muitos anos, a música de referência para ensinar RCP foi "Stayin' Alive", dos Bee Gees, com 103 batidas por minuto. Nos países de língua espanhola, também "La Macarena", dos Los del Río, foi amplamente utilizada com o mesmo objetivo. No entanto, as organizações de saúde concluíram que as gerações mais jovens já não se identificam tanto com estes temas.
Por esse motivo, a American Heart Association atualizou a lista de músicas recomendadas, incluindo vários êxitos em espanhol, como "La Negra Tiene Tumbao", de Celia Cruz, "Amargura" e "Provenza", de Karol G, "Mi Primer Millón", dos Bacilos, e "Rayando el Sol", dos Maná. Em dezembro de 2024, a organização divulgou ainda uma seleção de músicas natalícias com o mesmo propósito, entre as quais "Last Christmas", dos Wham!, e a versão de "Silent Night" interpretada por Luis Miguel.
Ana Beltrán, coordenadora nacional da secção de reanimação da Sociedade Espanhola de Medicina de Urgência, explica que utiliza músicas há vários anos para ajudar os alunos a manterem o ritmo correto durante a aprendizagem das manobras de RCP.
A especialista recorda que, atualmente, os manequins de treino permitem avaliar em tempo real a qualidade das compressões, indicando a profundidade e a frequência através de um computador ou tablet. No passado, essa tecnologia não existia e cabia ao formador controlar o ritmo das compressões.
Na sua opinião, manter a cadência adequada é um desafio tanto para profissionais de saúde como para leigos, sendo que as músicas ajudam a interiorizar o ritmo necessário.
Ana Beltrán refere ainda que começou por utilizar "Stayin' Alive", mas rapidamente percebeu que muitos dos alunos mais jovens já não conheciam a música. Depois de consultar listas disponíveis no Spotify com temas adequados para a prática de RCP, passou a escolher músicas sugeridas pelos próprios estudantes, tornando as sessões de formação mais dinâmicas.
A médica admite que alguns participantes questionam se, numa situação real, terão de cantar a música enquanto realizam as compressões. Contudo, esclarece que o importante é apenas memorizar o ritmo da canção, para conseguir manter a cadência correta num momento de emergência e aumentar as probabilidades de sobrevivência de uma vítima de paragem cardiorrespiratória.
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