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O impacto financeiro desta prática divide-se entre os custos evitados para o Serviço Nacional de Saúde (47%) e as despesas poupadas diretamente pelos cidadãos (53%). Segundo a análise, focada em problemas de saúde ligeiros e de curta duração, cada aumento de apenas um ponto percentual na adoção de autocuidados poderia injetar mais 239 milhões de euros de poupança anual na economia e no sistema de saúde.

Para além das contas públicas, o autocuidado revela-se um aliado da economia real. O estudo aponta que a taxa de absentismo quando se recorre ao autocuidado é de apenas 7%, um valor significativamente inferior aos 36% registados quando há recurso ao médico.

Do ponto de vista da gestão hospitalar, os dados são esclarecedores:

  • 39% das consultas de medicina geral e familiar poderiam ser geridas de forma autónoma através de autocuidados.
  • 55% dos portugueses já optam por esta via como primeira resposta a sintomas ligeiros.
  • 79% dos casos ficam totalmente resolvidos sem intervenção clínica, sendo que apenas 1% necessita de recorrer ao médico posteriormente.

O entrave da literacia

Apesar do sucesso na resolução de problemas comuns, como constipações, dores de cabeça ou stress ligeiro, Portugal continua a apresentar a taxa mais elevada de utilização de serviços de urgência da União Europeia (dados de 2023). Grande parte destes episódios deve-se a situações não urgentes, o que reflete tanto a dificuldade de acesso aos cuidados primários como baixos níveis de literacia em saúde.

O documento da Apifarma alerta que, para que o autocuidado deixe de ser uma prática dispersa e passe a ser um modelo estruturado, é necessário reforçar a literacia em saúde dos cidadãos, melhorar o acesso a soluções sem receita médica e implementar modelos de intervenção farmacêutica mais integrados.

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