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O antigo paraquedista e motorista de mercadorias integrava a missão humanitária que, a 27 de abril, tentava romper o bloqueio naval na Faixa de Gaza com 58 embarcações e 181 ativistas.
Segundo o ativista, a abordagem ocorreu em águas internacionais, a cerca de 50 milhas da costa da Grécia, e foi marcada por extrema violência:
"Apontaram-nos armas com lasers, armas carregadas com munições reais. Não pediram autorização para entrar dentro das embarcações. A partir daquele momento, ficamos com a certeza absoluta que estávamos a ser raptados".
Nuno Gomes descreve um cenário de ameaças de morte e a apreensão de passaportes, afirmando que, durante as 48 horas em que esteve retido no navio, sofreu tortura psicológica permanente através da privação de sono.
As consequências físicas da detenção, segundo o relato feito à Lusa, incluem uma costela rachada em dois locais, uma lesão grave na coluna vertebral e hematomas e escoriações no corpo e rosto.
O ativista dirigiu duras críticas à diplomacia portuguesa, classificando como "vergonhosa" a atuação do cônsul de Portugal em Creta, local onde 179 dos ativistas foram desembarcados. Nuno Gomes afirma que o apoio se limitou a uma breve conversa onde lhe foi transmitido que, por ser um cidadão livre, deveria contactar a família para comprar a passagem de regresso.
"Tenho de apelidar esta abordagem do Consulado como absolutamente vergonhosa, mas, também tendo em conta a posição do nosso Governo, que continua a negociar com um país [Israel] genocida, isso não me admira".
Apesar dos ferimentos e do trauma relatado, Nuno Gomes, que já tinha realizado uma greve de fome em 2025, garante que repetiria a missão sem hesitar. Para o ativista, o povo palestiniano vive um "genocídio desde quase há 80 anos" e carece de oportunidades de defesa.
"Voltaria a fazer tudo outra vez e essa seria sempre a minha opção. [...] Eu, como cidadão responsável, lá estaria novamente ao lado deles".
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