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De Paris a Berlim, partidos nacionalistas alinhados com a agenda MAGA enfrentam uma escolha difícil: apoiar os bombardeamentos dos EUA e de Israel contra o regime iraniano que há anos descrevem como uma ameaça islamista à segurança ocidental ou manter a sua posição tradicional contra intervenções externas e em defesa da soberania dos Estados.

Segundo uma análise publicada no jornal Politico esta escalada expõe uma contradição antiga. Muitos destes partidos apresentam-se como defensores da Europa contra a “islamização” e veem Israel como aliado natural. Ao mesmo tempo, criticam o que consideram imperialismo americano e envolvimentos militares dispendiosos no estrangeiro. Além disso, receiam que um novo conflito no Médio Oriente provoque instabilidade regional e novas vagas migratórias.

França: apoio cauteloso

Em França, o Reagrupamento Nacional (RN), que lidera as sondagens para as presidenciais do próximo ano, tinha condenado firmemente a intervenção norte-americana na Venezuela em janeiro, considerando-a uma violação da soberania nacional.

Perante o Irão, a reação foi mais prudente e inclinada para o apoio. Sébastien Chenu, vice-presidente do partido, afirmou que o RN apoia as ações dos EUA, embora critique o seu caráter unilateral.

A líder de facto do partido, Marine Le Pen, evitou condenar os bombardeamentos, limitando-se a expressar solidariedade com os aliados da França na região. A ausência de críticas ao unilateralismo contrasta com a posição dura que assumiu no caso venezuelano.

Entretanto, o presidente do partido, Jordan Bardella, tem reforçado nos últimos meses o apoio a Israel, apresentando a “ameaça islamista” como inimigo comum. Em 2025, tornou-se o primeiro líder do partido a visitar oficialmente Israel, num esforço para afastar o RN do passado antissemita associado ao seu fundador, Jean-Marie Le Pen.

Ainda assim, Bardella procurou equilibrar a posição, defendendo que qualquer mudança de regime legítima deve partir do povo iraniano e alertando para o impacto económico do conflito, nomeadamente uma possível subida dos preços da energia.

Alemanha: divisões internas

Na Alemanha, a questão também expôs tensões dentro da Alternativa para a Alemanha (AfD).

Os co-líderes Alice Weidel e Tino Chrupalla manifestaram “grande preocupação” com os ataques, alertando que uma nova desestabilização do Médio Oriente não serve os interesses alemães.

No entanto, vários dirigentes do partido discordaram, defendendo apoio claro à ofensiva contra o regime iraniano. Alguns acusaram a liderança de ecoar posições mais moderadas, semelhantes às da antiga ministra dos Negócios Estrangeiros Annalena Baerbock, dos Verdes.

A AfD tem tradicionalmente apoiado Israel, mas esse posicionamento tem enfraquecido, sobretudo devido à influência crescente de uma ala pró-russa e antiamericana forte no leste da Alemanha.

Um teste eleitoral

O momento é sensível: tanto o RN em França como a AfD na Alemanha estão em alta nas sondagens e procuram afirmar-se como alternativas de governo. Uma crise internacional pode expor divisões internas, especialmente em matérias de política externa e defesa, temas onde os seus adversários centristas veem fragilidades.

Nem todos os partidos da direita radical europeia mostram a mesma hesitação. George Simion, líder da Aliança para a União dos Romenos, apoiou claramente a administração Trump. Nos Países Baixos, Geert Wilders celebrou a morte do líder supremo iraniano. No Reino Unido, Nigel Farage criticou o primeiro-ministro Keir Starmer por hesitar em autorizar o uso de bases britânicas pelos EUA. A diferença de tom é evidente enquanto Farage reforçou publicamente o seu apoio a Washington, Bardella cancelou uma conferência de imprensa sobre eleições locais, invocando a situação internacional.

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